SÃO PAULO, 11 Mai (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro recuaram 3% em abril ante o mesmo mês do ano anterior, de acordo com o Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), calculado pela empresa de pagamentos, divulgado nesta segunda-feira.
Esse foi o pior desempenho desde março de 2025 (-3,8%), acrescentou a companhia controlada por Banco do Brasil e Bradesco.
O resultado, de acordo com a Cielo, indica perda de ritmo do consumo em um ambiente marcado por inflação mais pressionada, maior comprometimento da renda das famílias e efeitos de calendário desfavoráveis. O resultado de abril também foi impactado pela dinâmica da Páscoa, que neste ano ocorreu logo no início do mês, o que antecipou parte relevante das compras sazonais para março.
A Cielo também afirmou que, em 2025, além de a Páscoa ter caído mais tarde, houve emenda com o feriado de Tiradentes, favorecendo segmentos ligados a lazer, alimentação fora do lar e turismo. A combinação criou uma base de comparação mais exigente para abril deste ano, especialmente nos setores de consumo discricionário, explicou.
Todas as regiões do país apresentaram retração real em abril. O Nordeste registrou o pior desempenho, com queda de 4,7%, seguido por Norte (-3,8%), Sudeste (-3,4%) e Sul (-2,7%) e Centro-Oeste (-1,4%).
Em termos nominais, o e-commerce mostrou expansão de 6,5% na comparação anual, enquanto o comércio físico apresentou estabilidade (+0,2%).
Entre os macrossetores, serviços apurou declínio de 5,5%, afetado principalmente pelo efeito calendário desfavorável em categorias ligadas a alimentação fora do lar, recreação, lazer e turismo. Bens duráveis registrou queda de 4,9%, com vestuário e artigos esportivos sendo o setor que mais contribuiu negativamente, enquanto bens não duráveis teve retração de 1,6%, com varejo alimentício especializado prejudicado pela antecipação das compras de Páscoa e postos de gasolina pressionados pela alta de combustíveis.
(Por Paula Arend Laier; edição de Pedro Fonseca)



