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Ibovespa tem maior queda do ano com guerra no Oriente Médio

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 3 Mar (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda de mais de 3% nesta terça-feira, com a aversão a risco desencadeada pela escalada do conflito no Oriente Médio ditando uma forte correção negativa nas ações brasileiras, que vinham de um rali sustentado por estrangeiros.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 3,28%, a 183.104,87 pontos, após os ajustes finais, menor patamar de fechamento desde 6 de fevereiro e maior queda percentual desde 5 de dezembro de 2025.

Na mínima do dia, marcou 180.518,33 pontos. Na máxima, 189.602,38 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$46,8 bilhões, bem acima da média diária do ano, de R$34,6 bilhões.

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou no quarto dia sem sinais de arrefecimento. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Teerã quer dialogar, mas é tarde demais, e os EUA continuam sua operação militar.

Na véspera, o avanço robusto das ações Petrobras, na esteira do salto do petróleo, blindou o Ibovespa, mas os papéis não sustentaram o fôlego nesta terça-feira, enquanto prevaleceu a aversão ao risco, com receios sobre a inflação também no radar.

Nesta terça-feira, o barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de 4,7%, influenciado também pela ameaça do Irã de atacar navios que transitarem pelo crucial Estreito de Ormuz. Na véspera, havia saltado 6,7%.

De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, a bolsa refletiu as tensões geopolíticas persistentes ocasionadas pelo conflito entre Israel, o Irã e os Estados Unidos. "Foi uma réplica do mercado exterior."

Em Nova York, o norte-americano S&P 500 fechou em queda de 0,94%, acompanhando a dinâmica registrada pelos pregões na Europa e nas bolsas asiáticas.

A piora externa abriu espaço para ajuste na bolsa paulista após o Ibovespa renovar recordes de fechamento em 13 pregões neste ano, apoiado pelo fluxo de capital estrangeiro, que até a última sexta-feira mostrava um saldo positivo de R$41,7 bilhões no ano.

Mesmo com o declínio nesta terça-feira, o Ibovespa ainda acumula uma valorização de 13,64% em 2026. Na máxima do ano, chegou a superar os 192 mil pontos momentaneamente.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN cedeu 0,44%, sucumbindo à aversão a risco após uma abertura mais positiva, mesmo com nova disparada dos preços do petróleo no exterior. No setor, BRAVA ON fechou em baixa de 2,92% e PETRORECONCAVO ON encerrou com queda de 3,38%.

- PRIO ON caiu 3,77%, tendo também como pano de fundo o anúncio de que conseguiu licença de operação concedida pelo Ibama para o campo de Wahoo, em movimento que deverá impulsionar a produção da petrolífera brasileira.

- VALE ON caiu 4,17%, contaminada pela aversão a risco global, que abatia a bolsa paulista. Na China, o contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou o pregão diurno com alta de 0,67%, a 753,5 iuans (US$109,32) por tonelada.

- ITAÚ UNIBANCO PN recuou 3,35% e BRADESCO PN caiu 4,78%, com bancos como um todo no Ibovespa pressionados pelo "sell off" generalizado no pregão brasileiro. O índice do setor financeiro, que também inclui os papéis da B3, encerrou com declínio de 4,3%.

- GPA ON despencou 17,78%, em meio a preocupações persistentes sobre a situação financeira da varejista, dona da rede Pão de Açúcar. Na véspera, a agência de classificação de risco Fitch Ratings cortou o rating corporativo da companhia em escala nacional de "A" para "CCC".

- RAÍZEN PN subiu 6,15%, com o noticiário destacando declaração do presidente da Shell no Brasil de que a companhia já se comprometeu com R$3,5 bilhões em um processo de capitalização da Raízen, empresa na qual divide o controle com o grupo Cosan.

- RD SAÚDE ON perdeu 2,25%, mesmo após vender a 4Bio Medicamentos para a Profarma por R$600 milhões. PROFARMA ON, que não está no Ibovespa, caiu 0,44%. Também no radar do setor está a aprovação do projeto de lei que estabelece condições para farmácias operarem dentro de supermercados.

- KEPLER WEBER ON, que não faz parte do Ibovespa, desabou 13,71%, após a GPT avisar a companhia que a oferta de combinação de negócios expirou, mesmo após o conselho da fabricante de silos aprovar o acordo. "Em decorrência da retirada da oferta pela GPT, a transação não prosseguirá."

- ONCOCLÍNICAS ON, que também não é do Ibovespa, afundou 16,34%, tendo no radar convocação de assembleia com debenturistas para decidirem sobre proposta de renúncia prévia para a eventual não observância do índice financeiro em relação ao balanço de 2025 para evitar inadimplência.

- PAGUE MENOS ON, outro papel que não faz parte do Ibovespa, recuou 6,6%, tendo ainda no radar anúncio de oferta de ações com distribuições primária e secundária que pode movimentar R$900 milhões. Os recursos da oferta primária serão destinados a reforço do capital de giro da rede de farmácias.

- MERCADO LIVRE, que é listada nos EUA, caiu 3,54%. A Amazon lançou nesta terça-feira o serviço Amazon Now no Brasil, prometendo a entrega de alguns itens em 15 minutos.

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