Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 6 Ago (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, abaixo dos 176 mil pontos, após o Banco Central reduzir a Selic a 14% ao ano, mas não sinalizar os próximos passos.
Investidores também repercutiram uma bateria de resultados corporativos, entre eles os números de Bradesco e Axia, enquanto o final do dia reserva novas divulgações, incluindo o balanço da Petrobras.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,23%, a 175.546,36 pontos, terminando perto da mínima do dia (175.514,86 pontos). Na máxima, marcou 177.720 pontos.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu na quarta-feira cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, mas deixou os próximos passos em aberto, argumentando que manterá “a restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta.
O BC ponderou em comunicado que o cenário atual é "caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base", o que exige serenidade e cautela na condução da política monetária.
Na visão da estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad, o Copom adotou um tom duro ao avaliar o processo de controle da inflação e preferiu não se comprometer com novos cortes nas próximas reuniões, ressaltando que os passos futuros dependerão da evolução dos dados econômicos.
"Essa cautela sinaliza que os juros no Brasil devem permanecer em patamares elevados por mais tempo", afirmou.
No exterior, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou com um declínio de 0,18%, experimentando uma pausa após um início de semana forte, enquanto os investidores analisavam a última rodada de resultados corporativos e buscavam sinais de progresso nas negociações entre os EUA e o Irã.
DESTAQUES
• BRADESCO PN recuou 1,94%, após reportar lucro de R$7,05 bilhões no segundo trimestre, alta de 16,2% em linha com as estimativas, com melhora na rentabilidade e expansão do crédito, enquanto o CEO afirmou que seguirá com apetite ao risco moderado. O banco também vê a carteira de crédito desacelerando o crescimento na segunda metade do ano, convergindo para o guidance divulgado anteriormente. No setor, o destaque negativo foi BANCO DO BRASIL ON, que caiu 3,66%.
• PETROBRAS PN subiu 0,48%, após três quedas seguidas, com investidores na expectativa do balanço da estatal do segundo trimestre, que será conhecido após o fechamento do mercado. No pano de fundo das negociações, o barril de petróleo sob o contrato Brent avançou 3,83%. No setor, BRAVA ON cedeu 4,78%, tendo no radar desfecho na véspera da OPA para a Ecopetrol assumir o controle da companhia, bem como o balanço do segundo trimestre, com lucro de R$871 milhões.
• VALE ON fechou em queda de 1,66%, acompanhando o movimento de outras mineradoras no exterior. Na China, o contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) encerrou o pregão diurno com alta de 2,57%, a 719 iuanes (US$106,54) por tonelada.
• AXIA ON caiu 1,01%, perdendo o fôlego durante a sessão, um dia após reportar um lucro de R$1,6 bilhão no segundo trimestre, 9,5% acima do apurado um ano antes. O conselho de administração da maior geradora e transmissora de energia do país também aprovou o resgate de 37.237.014 ações preferenciais classe C (PNC), equivalente a R$2 bilhões.
• SMARTFIT ON perdeu 7,82%, após a rede de academias reportar um resultado para o segundo trimestre mais fraco do que o esperado pelo mercado, com lucro líquido recorrente de R$204 milhões. A receita líquida subiu 22%, também aquém de previsões no mercado.
• BRASKEM PNA subiu 3,07%, poucos dias após marcar uma mínima intradia desde 2010. A petroquímica divulga na próxima semana o resultado do segundo trimestre.
• MERCADO LIVRE, que tem as ações listadas nos EUA, fechou em queda de 4,81%, mesmo após reportar lucro líquido de US$466 milhões no trimestre encerrado em junho, acima do esperado por analistas. A receita líquida atingiu US$10,2 bilhões, crescimento de 50% -- o maior em quatro anos. De acordo com analistas do Citi, a principal frustração foi a margem bruta, de 40,9%.
(Por Paula Arend LaierEdição de Pedro Fonseca)



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