O Ibovespa subiu mais cedo, tentando dar sequência à alta retomada na véspera, após seis pregões seguidos de queda. A valorização refletiu em parte a elevação do minério de ferro, do petróleo e da maioria dos índices de ações do Ocidente. No entanto, no final da manhã, passou a operar indefinido
"Tentou um respiro", diz Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos. Segundo Mota, no geral, há alguns setores que estão começando "a andar", diante da possibilidade de fim da guerra no Irã, como Vale e Petrobras, enquanto outros ainda operam com fraqueza.
Investidores digerem a decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic em 13,75% ao ano, conforme o esperado, sem indicar quais serão os próximos passos. Também estão no radar incertezas fiscais no próximo mandato.
Para tentar acalmar os ânimos do mercado financeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará um pronunciamento à nação no domingo para promover uma ideia de pacificação e garantir que terá responsabilidade fiscal ao longo de todo o quarto mandato.
"O mercado não está precificando o que o governo promete. Saiu o imposto do 'pecado'. É mais uma forma de aumentar a receita sem cortar gastos", diz Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3.
De acordo com Mota, da Manchester, o movimento de alguns ativos no Ibovespa é uma tentativa de deixar o índice mais balanceado. "Porém, ainda é um cenário complicado, diante da dificuldade de o Banco Central cortar juros. Enquanto não houver quedas, alguns setores, como os cíclicos, não vão andar. Tem de haver sinal sobre corte de gastos por parte do governo", diz.
Ainda, os mercados avaliam a produção industrial de setembro e uma série de balanços como C&A, CBA e Porto Seguro. Após o fechamento da B3 sairão os resultados trimestrais da Suzano, Assaí, Allos, Lojas Renner, Sabesp, entre outros. No exterior, o Banco da Inglaterra elevou os juros básicos em 0,25 ponto porcentual, para 4%, como o previsto.
Também, os mercados continuam repercutindo a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, na terça-feira, que conquistaram Câmara e Senado. O presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou que não pretende reduzir as tarifas comerciais impostas por seu governo após a derrota do seu partido.
A vitória do Democratas sugere que os próximos dois anos do republicano será menos agressivo, abrindo espaço para menos pressão inflacionária e sobre juros, o que fez o petróleo despencar ontem e as bolsas, avançarem. Hoje o petróleo corrige, o que estimula as ações do setor, especialmente as da Petrobras.
Quanto ao Copom, no comunicado, o BC reforçou a postura de cautela e sinalizou que manterá a política monetária restritiva pelo tempo necessário para assegurar a convergência da inflação à meta. Apesar da desaceleração mais acentuada da atividade econômica, a inflação e as expectativas seguem pressionadas, enquanto os riscos inflacionários aumentaram, com destaque para petróleo, câmbio e incertezas fiscais.
Segundo Oliveira, da Blue3, o comunicado sugere que o tema fiscal é um assunto que precisa ser tratado com seriedade pelo governo. "O Ibovespa sobe um pouco, ainda refletindo as midterms nos Estados Unidos", diz, ao referir-se às eleições de meio de mandato nos EUA.
Nesta manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse, a Selic é bastante alta e ruim para economia. "Temos que dar condições para a taxa caia." Ainda, afirmou que o Imposto Seletivo, enviado ontem ao Congresso por uma Medida Provisória, não tem finalidade arrecadatória e que poucos setores terão esse tributo enquanto a indústria fica isenta de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Hoje, em Dalian, o minério de ferro subiu 1,77%. Às 11h46, o petróleo Brent tinha alta de 2,85%, a US$ 97,35 o barril.
O Ibovespa cedia 0,05%, aos 167.430,25 pontos, ante recuo de 0,22%, na mínima em 167.190,29 pontos, vindo de abertura em 167.565,05 pontos e máxima aos 168.994,33 pontos (+0,85%).
Aviso