Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 10 Mar (Reuters) - O Ibovespa tinha alta comedida nesta terça-feira, sustentada principalmente pelas ações da Vale, em meio à percepção de menor duração do conflito no Oriente Médio, enquanto o noticiário corporativo brasileiro destaca acordo do GPA com credores para um plano de recuperação extrajudicial.
Por volta de 11h50, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 1,44%, a 183.526,19 pontos. O volume financeiro somava R$7,89 bilhões.
Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na véspera, de que a guerra contra o Irã pode terminar em breve, provocaram uma reação positiva na bolsa paulista na segunda-feira, acompanhando Wall Street, com reflexos também nas cotações do petróleo, que caíram nas negociações após o fechamento.
Ainda na segunda-feira, porém, após os comentários de Trump, a Guarda Revolucionária do Irã disse que irá determinar o fim da guerra e que Teerã não permitirá que um litro de petróleo seja exportado da região se os ataques dos EUA e de Israel continuarem.
Nos mercados, prevaleceu o discurso de Trump, o que fazia os preços do barril de petróleo recuarem fortemente nesta terça-feira. As bolsas na Europa e Ásia - que já estavam fechadas na véspera - também reagiram com ganhos nesta sessão. Em Wall Street, o S&P 500 subia 0,31%.
De acordo com a equipe da Ágora Investimentos, a queda do preço do petróleo melhorou o apetite a risco. "A combinação de exterior mais favorável e minério em alta tende a sustentar o Ibovespa, ainda que a queda do petróleo pressione ações ligadas ao setor de energia", afirmou em relatório a clientes.
DESTAQUES
- VALE ON avançava 1,74%, tendo como pano de fundo fechamento positivo dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian subiu 0,26%.
- PETROBRAS PN recuava 0,72%, enfraquecida pelo movimento do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent caía 9,94%. No setor, PRIO ON cedia 1,17%, BRAVA ON operava estável e PETRORECONCAVO ON recuava 1,48%, com dados de produção também no radar.
- BRADESCO PN subia 2,35%, acompanhada de SANTANDER BRASIL UNIT, com alta de 2,47%, BTG PACTUAL UNIT, com elevação de 2,65%, e BANCO DO BRASIL ON, com acréscimo de 1,38%. ITAÚ UNIBANCO PN avançava 0,81%.
- GPA ON mostrava estabilidade, distante da mínima do dia, quando chegou a desabar quase 9%. O grupo anunciou nesta terça-feira que firmou acordo com seus principais credores para apresentação de um plano de recuperação extrajudicial envolvendo dívidas de aproximadamente R$4,5 bilhões.
- COSAN ON subia 6,62%, após prejuízo de R$5,8 bilhões no quarto trimestre, afetado por efeitos envolvendo a investida Raízen, mas menor do que a perda de um ano antes. O presidente-executivo disse que as estratégias para reduzir a dívida incluem vendas de ativos, mas não a qualquer preço.
- RUMO ON avançava 5,71%, tendo no radar declarações do presidente da Cosan, holding que detém participação de mais de 20% na empresa de logística ferroviária, de que poderia considerar venda de alguma participação na companhia, mas isso depende do momento adequado e da estrutura do negócio.
- RAÍZEN PN recuava 3,64%, mesmo após o presidente da Cosan, que divide o controle da produtora de açúcar e etanol com a Shell, afirmar que espera ver nos próximos dias desdobramentos sobre um plano de saída adequada para as finanças da investida.
- AZZAS 2154 ON valorizava-se 6,46%, tendo no radar o balanço do grupo na quarta-feira, após o fechamento do mercado. Na véspera, o papel já havia subido mais de 5%.
- DIRECIONAL ON caía 1,59%, tendo como pano de fundo resultado do quarto trimestre do ano passado, com lucro líquido ajustado de R$211,4 milhões, alta de 27,7% na comparação anual, mas um pouco abaixo da média das projeções compiladas pela LSEG, que apontavam lucro de R$220 milhões.

