Ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2010, o professor Christopher Pissarides, da London School of Economics (LSE), afirmou nesta quinta-feira, 16, que o avanço da inteligência artificial (IA) aumenta a demanda por profissionais inclusive em áreas tradicionais. Segundo ele, nas empresas o principal impacto da nova tecnologia, neste momento, é a transição de funções, na qual os trabalhadores podem precisar adquirir novas habilidades em tecnologia.
"Há aumento na demanda por profissionais em áreas tradicionais por conta das exigências da IA, como a contratação de trabalhadores para data centers", afirmou durante palestra na 25ª Conferência Anual da Society for the Advancement of Economic Theory (SAET), no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), na zona sul do Rio.
Segundo Pissarides, a transição mais comum é para novas funções dentro das empresas. Os trabalhadores podem precisar aprender novas habilidades em tecnologia. As empresas estão recrutando profissionais com competências em IA, mas ainda não utilizam a tecnologia plenamente. A principal mudança no mercado de trabalho, neste momento, ocorre nos fluxos de trabalho. "O papel dos trabalhadores está mudando, se ajustando ao uso de IA", comentou.
O especialista citou pesquisa do Financial Times no Reino Unido que mostra que profissionais seniores estão usando LLMs (grandes modelos de linguagem) em vez de recorrer à ajuda de um profissional júnior. Em resposta à onda de IA, Pissarides sugere aos trabalhadores "aprender a aprender" mais do que se dedicar a um "excesso de especialização".
Segundo Pissarides, os administradores são lentos para adotar a IA nas empresas, mas querem estar prontos para isso. "Estão preocupados com a competição com os early adopters empresas pioneiras na adoção da tecnologia, mas não têm certeza se querem adotar a tecnologia."
O professor mencionou ainda que o desenvolvimento de aplicações de IA precisa de capital semente. Mas o venture capital é abundante nos EUA e mais raro fora de lá. Dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre investimentos em inteligência artificial mostram que 75% dos recursos estão nos EUA, 6% na União Europeia e 5% na China.



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