O crédito real por habitante cresceu mais nos Estados onde o acesso a serviços financeiros era mais escasso em 2025, segundo o estudo Fin Regional 2026, realizado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras (FIN).
Na média simples das 27 unidades da federação, o volume real de crédito por habitante avançou 5,6% no período. O volume de crédito real por habitante cresceu, em média, 7% em 2025 nos Estados que tinham menos de R$ 20 mil em crédito por habitante em 2024. Nos demais, a alta média foi de 4%. Apesar da aproximação, o volume de crédito por habitante ainda é, em geral, mais elevado nos Estados do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste.
"As regiões com maior crescimento do crédito foram também as regiões em que o crédito era menor, ou seja, todo mundo cresceu, mas quem estava embaixo cresceu mais", afirma Vinícius Botelho, autor do relatório e gerente de Assuntos Econômicos da FIN.
Entre as unidades da federação, Roraima foi o caso mais forte, com alta de 11%, a maior do País. No outro extremo ficaram Mato Grosso (-2%), Rio de Janeiro (-1%) e Distrito Federal (0%).
A tendência, porém, não se limita à conjuntura macroeconômica. Segundo Botelho, a redução das diferenças é observada desde o início da década, apesar de mudanças no cenário econômico, como a pandemia e as oscilações dos juros e do desemprego. Para ele, a tendência de redução das desigualdades pelo acesso ao crédito pode continuar no futuro próximo, mas não indefinidamente.
Segundo o economista, "sem bancos dispostos a conceder e clientes dispostos a contratar, o volume de concessões não sobe". Por isso, diz, o movimento não deve ser lido como uma mudança que atingiu só a oferta ou só a demanda, e sim como reflexo do crescimento do mercado, com "mais instituições oferecendo crédito e mais gente contratando ao mesmo tempo". Ele reconhece que não tem como estimar quanto veio de cada fator e afirma que os dados mostram redução de uma desigualdade historicamente elevada.
Pix
Outro indicador analisado pelo estudo é o Pix. Entre 2024 e 2025, o número de transações recebidas por pessoas físicas por habitante cresceu pelo menos 12% em todas as unidades da federação. O estudo observa ainda que, desde o lançamento da ferramenta, a expansão dessas transações foi maior nos Estados que apresentavam menor volume de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.
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