Por Howard Schneider
WASHINGTON, 28 Out (Reuters) - O Federal Reserve manteve as taxas de juros inalteradas nesta quarta-feira, como esperado, optando por adiar quaisquer alterações nos custos dos empréstimos para até depois das eleições de meio de mandato nos EUA, na próxima semana, e aguardando mais dados sobre a trajetória da inflação.
Em uma decisão por 10 a 2, o banco central dos EUA afirmou que manterá sua taxa de juros de referência dentro da faixa atual de 3,75% a 4,00%, ao mesmo tempo em que reconheceu que a inflação “continua elevada”, aumentou sua avaliação da economia e deu a entender que novos aumentos nas taxas de juros podem ocorrer dependendo do comportamento da inflação.
“A coleta de mais informações ajudará o Comitê a determinar a postura de política monetária adequada para garantir um retorno oportuno da inflação à meta de 2% do Comitê”, afirmou o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), responsável pela definição das taxas, em sua mais recente declaração de política monetária. “O Comitê garantirá a estabilidade de preços.”
A diretora do Fed Lisa Cook, atualmente alvo do presidente Donald Trump para ser destituída do banco central, discordou, defendendo um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa, assim como a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, uma voz consistentemente "hawkish" (dura com a inflação) que também discordou em julho pelo mesmo motivo.
A última declaração de política monetária do Fed representa uma mudança notável em relação à reunião de 15 e 16 de setembro, com uma sugestão do tipo de orientação prospectiva que o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou querer evitar.
A avaliação do Fed sobre a economia foi elevada de “sólida” — como na reunião de setembro — para “forte”, enquanto os investimentos continuaram sendo considerados robustos e a criação de empregos acompanhava o ritmo da força de trabalho.
TEMORES DE QUE INFLAÇÃO ESTEJA SE AMPLIANDO
O resultado da reunião desta semana era amplamente esperado depois que autoridades do Fed indicaram não ter pressa em aumentar as taxas de juros novamente após o aumento de 0,25 ponto percentual aprovado no mês passado, apesar dos dados de inflação que foram mais fortes do que o previsto e das preocupações de que as pressões sobre os preços estejam se ampliando por toda a economia.
Os custos com energia permanecem altos, inclusive para o diesel, que é um insumo fundamental para o transporte, a agricultura e outros setores. A inflação e o custo de vida em geral têm sido temas centrais nas disputas eleitorais que determinarão se o Partido Republicano de Trump manterá o controle das duas casas do Congresso em 3 de novembro, ou se os democratas assumirão posições de liderança e obterão poderes de fiscalização mais robustos, inclusive sobre o Fed.
Warsh dará uma coletiva de imprensa às 15h30 (horário de Brasília) para explicar a decisão de política monetária e as perspectivas econômicas.
Os investidores esperam que sejam necessários novos aumentos nas taxas, a partir de dezembro e se estendendo até 2027, para reduzir a inflação, que atualmente está cerca de um ponto percentual acima da meta do Fed e tem mostrado pouco progresso nos últimos meses.
O banco central dos EUA vem falhando em atingir sua meta de inflação há cinco anos e meio, fato que tem deixado algumas autoridades preocupadas com a possibilidade de que empresas e famílias estejam se acostumando a aumentos de preços mais rápidos e possam se planejar de maneiras que tornem a inflação mais difícil de controlar.
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