Por Igor Sodre
SÃO PAULO, 28 Jul (Reuters) - O varejo eletrônico brasileiro deve faturar R$254 bilhões no segundo semestre, alta de 20% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados nesta terça-feira pela empresa de pesquisa de mercado Confi Neotrust.
O levantamendo mostra que entre janeiro e junho, o setor contabilizou faturamento de R$208,4 bilhões no primeiro semestre, uma alta de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025.
As vendas envolveram 756,7 milhões de encomendas, o que representa um crescimento de 34,8%.
"Hoje 75% do resultado já é movido pelas grandes plataformas (de marketplace) observamos um cenário de disputa entre essas plataformas grandes, cada uma buscando seu protagonismo, e isso tem movimentado cada vez mais e atraído o volume de mercado para o online", disse o diretor de Negócios da Neotrut, Leo Bicalho, em entrevista à Reuters.
Para 2026 como um todo, a empresa projeta um crescimento de 18,6% nas vendas do varejo online nacional, para R$462,5 bilhões.
No primeiro semestre, o valor médio das compras recuou 13,3% sobre um ano antes, para R$275,50, e o número de itens por compra caiu de 2,25 para 1,97 (-12,4%).
A redução no chamado ticket-médio é atribuída ao maior uso das plataformas de e-commerce para produtos do dia a dia, de menor valor.
"O consumidor passa a comprar com uma frequência maior, ele tem comprado mais, vide o maior volume de pedidos, mas os itens são de um valor menor", disse Bruno Pati, presidente do E-commerce Brasil, empresa parceira da Confi na elaboração e difusão do estudo.
Os autores do levantamento esperam que a tendência positiva observada no primeiro semestre continue na segunda metade do ano principalmente por conta da Black Friday e das vendas de Natal, que tradicionalmente elevam as vendas.
Além desses fatores, o aumento das promoções em datas que se assemelham ao mês, como 9/9, 10/10 e 11/11, também devem alavancar as vendas do comércio eletrônico, mesmo num ambiente macroeconômico de juros elevados.
"O e-commerce vai continuar pujante. Essas batalhas (das plataformas) nessas datas vão fazer com que o consumidor fique atento", disse Pedro Chiamulera, fundador da Confi.
Os dados mostraram que o segmento de Moda e Acessórios permaneceu como o mais representativo no primeiro semestre, com faturamento de R$19,3 bilhões, à frente de Eletrodomésticos (R$19,2 bilhões), Saúde (R$15,5 bilhões), Eletrônicos (R$14,4 bilhões) e Telefonia (R$14 bilhões).
COPA DO MUNDO
A Copa do Mundo impulsionou as vendas do primeiro semestre, com destaque para a subcategoria de televisores, que teve R$9,2 bilhões de faturamento, uma alta de 28,9% na base anual.
O resultado foi impulsionado pela busca por modelos de tela entre 50 e 59 polegadas e uma explosão de 165,1% nas vendas de aparelhos acima de 70 polegadas, enquanto TVs de até 32 polegadas perderam relevância.
A copa também influenciou as vendas de vestuário esportivo, que tiveram alta de 139,3% no semestre, atingindo R$1,9 bilhão em faturamento. A categoria de camisas esportivas, sozinha, faturou R$1 bilhão, disparando 73,7%, com a camisa da seleção brasileira saltando de 5,1% para 48,7% de participação nas vendas logo após o lançamento do uniforme oficial.
CANETAS EMAGRECEDORAS
O segmento de Saúde foi o que mais cresceu no primeiro semestre, registrando alta de 45,8% na comparação anual.
Esse desempenho foi impulsionada por canetas emagrecedoras, que faturaram R$6,1 bilhões e tiveram alta de 213% sobre o primeiro semestre do ano passado.
"É um produto de ticket altíssimo, recorrente, e isso impulsiona a categoria como um todo", disse Bicalho.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)



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