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Exterior positivo após vitória dos democratas nos EUA apoia Ibovespa depois de 6 quedas

Estadão

O apetite por risco no exterior sustenta o Ibovespa, favorecendo correção após seis quedas seguidas, mas as incertezas político-econômicas domésticas tendem a limitar uma alta mais firme. Ainda ficam no foco a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), às 18h30, o Novo Caged de setembro, e balanços, como Itaú Unibanco. No exterior, saiu a pesquisa ADP do setor privado nos Estados Unidos, com geração de 86 mil vagas em outubro.

Nos EUA, a vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas retirou do Partido Republicano o controle da Câmara e do Senado, o que deve dificultar a agenda do presidente norte-americano, Donald Trump, no restante do mandato.

"O desfecho confirma as pesquisas que vinham apontando baixa aprovação do governo Trump, em meio às instabilidades geradas desde o início de seu segundo mandato, que incluem medidas tarifárias e os impactos da guerra contra o Irã nos preços dos combustíveis", diz Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, em nota.

Na manhã de hoje, os índices das bolsas em Nova York e da Europa sobem, com recuo dos rendimentos dos Treasuries. Petróleo cai quase 3% e pesa nas ações ligadas à commodity, enquanto o minério de ferro subiu 1,56% em Dalian, estimulando os papéis do setor. Vale tinha alta de 1,94% às 11h32, enquanto Petrobras perdia perto de 3%.

"Joga o petróleo e os juros para baixo. Talvez seja a noticia que o investidor precisava para respirar um pouco, mas acredito que é mais um respiro diante de um cenário desafiador no Brasil", diz Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester, ao referir-se às incertezas fiscais após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Divulgado ontem, o balanço do Itaú Unibanco mostrou lucro líquido gerencial de R$ 12,617 bilhões, além de um retorno sobre o patrimônio (RoE) de 23,6% na operação consolidada e de 24,5% no recorte do Brasil, mas as receitas com serviços e seguros deterioraram. Já a BB Seguridade teve queda de 5,1% no lucro. As ações do Itaú subiam 2,29%.

Quanto ao Copom, entre 75 casas consultadas pelo Projeções Broadcast, 39 preveem novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, para 13,50%, hoje; enquanto outras 36 instituições estimam manutenção da taxa nos atuais 13,75% ao ano.

"A deterioração das condições financeiras, a depreciação cambial e a piora das expectativas de inflação elevaram as apostas de manutenção da Selic em 13,75%, interrompendo temporariamente o ciclo de cortes", diz em nota Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

De acordo Mendes, da Manchester, a alta do Ibovespa é vista mais como uma compra técnica dentro de um cenário de baixa. "Se a política do PT, pregada nas eleições, prevalecer no Lula 4, é Bolsa para baixo. A notícia dos Estados Unidos de hoje não é capaz de mudar a dinâmica da dívida pública brasileira", afirma o economista da Manchester.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 1,42%, aos 165.528,92 pontos.

Às 11h38 desta sexta, o Índice Bovespa tinha alta de 1,03%, aos 167.234,84 pontos, ante elevação de 1,33%, na máxima em 167.729,56 pontos, e abertura em 165.547,88 pontos, perto da mínima (165.541,38 pontos).

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