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Dólar tem leve alta com guerra no Oriente Médio no radar

Após trocas de sinal pela manhã, o dólar se firmou em terreno positivo ao longo da tarde desta segunda-feira, 30, em meio a uma piora da aversão ao risco, mas fechou em leve alta, abaixo de R$ 5,25. A incerteza em torno do desenrolar da guerra no Oriente Médio mantém o petróleo acima de US$ 100 o barril e aviva temores de estagflação global, levando investidores a buscar abrigo na moeda norte-americana.

Operadores atribuíram parte da volatilidade ao longo do pregão a questões técnicas típicas de fim de mês e trimestre, como a rolagem de posições no segmento futuro e a preparação para a disputa pela formação da última taxa ptax de março. Apesar disso, percebe-se um alívio no dólar casado (diferença o dólar spot e o futuro), após o estresse na semana passada, quando o Banco Central interveio com venda de US$ 2 bilhões em linhas (venda com compromisso de recompra).

Com mínima de R$ 5,2246 e máxima de R$ 5,2673, o dólar à vista encerrou a sessão desta segunda-feira, 30, cotado a R$ 5,2478, avanço de 0,12%. A moeda norte-americana acumula valorização de 2,22% em março, após queda de 2,16% em fevereiro. No ano, as perdas, que chegaram a superar 6%, estão em 4,39%. O real apresenta no mês desempenho superior a de seus principais pares, à exceção do peso colombiano.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY subia cerca de 0,30% no fim do dia, ao redor dos 100,500 pontos, após máxima aos 100,614 pontos. Destaque para os ganhos de 0,40% do iene, apoiado por declarações de autoridades japonesas sobre a possibilidade de intervenção no mercado para apoiar a moeda.

Já as taxas dos Treasuries recuaram em bloco, com o rendimento do papel de 2 anos, mais ligado às perspectivas para os próximos passos do Federal Reserve, em queda de mais de 2,5%. O presidente do BC norte-americano, Jerome Powell, disse nesta segunda que a política monetária está "bem posicionada" para lidar com os impactos econômicos da guerra.

O CIO da Monte Bravo, Guilherme Loureiro, afirma que comportamento dos ativos nesta segunda mostra que o mercado começa a deslocar o foco de suas preocupações da inflação para a perda de fôlego da economia. A avaliação é que o choque de custos com a escalada do petróleo aumenta os riscos de desaceleração mais forte de atividade e pode levar a um quadro de "estagflação".

"Em um movimento de risk-off, a tendência é de dólar global mais forte. O real também sofre com a aversão ao risco, mas é relativamente beneficiado pela alta do petróleo e pelo fato de o Brasil estar geograficamente isolado em relação ao conflito", afirma Loureiro.

À tarde, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que as negociações com o Irã para um cessar-fogo continuam, apesar da negativa dos iranianos. O objetivo do presidente Donald Trump é alcançar um acordo antes de 6 de abril, data em que vence o prazo para eventuais ataques dos EUA à infraestrutura energética do Irã.

Mais cedo, Trump disse que os EUA entabulam negociações "sérias" com o novo regime iraniano, que classificou como mais "razoável", mas ameaçou atacar "usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo e a Ilha de Kharg", caso um acordo não seja alcançado em breve.

"O real começou o dia em queda, mas virou acompanhando o índice DXY. A moeda brasileira está bem posicionada em relação a outras moedas, visto que temos grandes empresas no Ibovespa que se beneficiam da alta de commodities e juro real acima da média", afirma o especialista em câmbio Nicolas Gomes, da Manchester Investimentos.

Pela manhã, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, repetiu que a "gordura" gerada pela política monetária restritiva permitiu o início da "calibragem" da taxa Selic, com redução de 0,25 ponto porcentual, para 14,75%. A perspectiva majoritária é de que o BC continue a reduzir os juros de forma cautelosa, promovendo novo corte de 0,25 ponto no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) em abril.

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