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Deflação de alimentos ganha força em julho e IPCA em 12 meses volta a ficar abaixo da meta

Reuters
Deflação de alimentos ganha força em julho e IPCA em 12 meses volta a ficar abaixo da meta
Deflação de alimentos ganha força em julho e IPCA em 12 meses volta a ficar abaixo da meta

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 11 Ago (Reuters) - Os preços de alimentos aprofundaram sua queda em julho e compensaram a alta da energia elétrica, ajudando a inflação no Brasil a registrar pouca variação no mês e a levar a taxa em 12 meses de volta para abaixo do teto da meta depois de dois meses acima da marca.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve em julho variação positiva de 0,07%, ante 0,16% no mês anterior e contra expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,03%. Esse é o resultado mais fraco para meses de julho desde 2022 (-0,68).<BRCPI=ECI>

Os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a taxa em 12 meses passou a uma alta de 4,44%, contra 4,64% em junho e expectativa de 4,40%.

A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Em julho, os preços de Alimentação e bebidas tiveram queda de 0,67%, acelerando o ritmo de deflação após queda de 0,24% no mês anterior.

Os custos da alimentação no domicílio recuaram 1,14%, com destaque para as quedas em tomate (-29,09%), batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%).

Na outra ponta, a maior variação positiva foi registrada por Habitação, que acelerou a alta a 0,99% em julho, de 0,63% no mês anterior.

Esse resultado foi puxado pela alta de 3,09% da energia elétrica residencial, após avanço de 1,53% em junho, diante de reajustes tarifários.

A bandeira tarifária da energia elétrica no Brasil neste mês permaneceu amarela, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos, e seguirá neste nível em agosto.

A inflação dos custos de Transportes perdeu força indo a 0,05% em julho, de 0,17% em junho. As passagens aéreas subiram 11,67% no mês, mas os combustíveis apresentaram recuo de 1,44%, com todos em queda: etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).

A inflação de serviços, por sua vez, acelerou a 0,54% em julho, de 0,34% no mês anterior, com a taxa em 12 meses chegando a 5,86%.

O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em julho queda a 50%, de 54% antes.

Na semana passada, o Banco Central cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,00% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto em meio a uma melhora no cenário corrente, argumentando que manterá “a restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta.

Na ata dessa reunião, divulgada nesta terça, o BC fez alertas sobre eventual disseminação de efeitos indiretos de choques relacionados aos preços do petróleo e a efeitos climáticos, o que demandaria "reação firme" da política monetária, demonstrando também preocupação com uma inflação pressionada pela demanda em meio a medidas de estímulo adotadas pelo governo.

A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA é de alta de 5,02% em 2026, indo a 4,22% em 2027.

(Edição de Isabel Versiani)

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