A prévia oficial da inflação de setembro, divulgada pelo IBGE, veio mais forte do que o esperado, com alta de 0,70%, a maior desde abril. O principal vilão foi a conta de luz: a energia elétrica residencial subiu 7,42% no mês, depois que o desconto especial ligado à usina de Itaipu deixou de valer. Para quem mora em Manaus e no interior do Amazonas, onde o gasto com energia já pesa bastante no orçamento das famílias, o efeito deve aparecer diretamente na fatura de outubro.
Outro item que encareceu foi o transporte: as passagens aéreas tiveram salto de quase 10% no mês, o que tende a pressionar ainda mais o preço de voos que ligam Manaus ao restante do país, rota historicamente cara por causa da posição geográfica da capital amazonense. Os combustíveis também subiram, em ritmo mais moderado, o que impacta o custo do transporte de mercadorias e, por consequência, os preços de produtos que chegam à região por via fluvial e rodoviária.
Na mesa do manauara, o comportamento dos alimentos foi misto: o tomate disparou mais de 20% no período, enquanto o feijão ficou mais barato. Esse tipo de oscilação costuma se refletir com atraso nas prateleiras dos mercados de Manaus, já que boa parte dos hortifrútis consumidos na capital vem de fora do estado. Com o acumulado em 12 meses agora em 4,47%, acima do registrado em agosto, o custo de vida segue como tema central para quem planeja o orçamento doméstico nos próximos meses.
O quadro reforça a expectativa de que o Banco Central mantenha cautela na condução dos juros, já que uma inflação mais resistente reduz o espaço para novos cortes na Selic. Isso importa para o consumidor amazonense porque juros mais altos encarecem o crédito, o financiamento de eletrodomésticos, veículos e imóveis, além do rotativo do cartão — itens que pesam diretamente no planejamento financeiro das famílias em Manaus.
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