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BCE mantém juros em possível última pausa antes de alta em junho

Reuters
BCE mantém juros em possível última pausa antes de alta em junho
BCE mantém juros em possível última pausa antes de alta em junho

Por Balazs Koranyi e Francesco Canepa

FRANKFURT, 30 Abr (Reuters) - O Banco Central Europeu deixou as taxas de juros inalteradas nesta quinta-feira conforme esperado, mas sinalizou suas preocupações crescentes com o aumento da inflação, reforçando as apostas de que elevará as taxas várias vezes este ano, com um primeiro movimento em junho.

A inflação anual saltou para 3% este mês, bem acima da meta de 2% do banco, e espera-se um aumento ainda maior, já que a guerra do Irã levou os preços do petróleo à máxima em quatro anos, tornando provável que o impacto da energia desencadeie uma espiral de inflação difícil de ser quebrada.

"Os riscos de alta para a inflação e os riscos de baixa para o crescimento se intensificaram", disse o BCE em um comunicado. "Quanto mais a guerra continuar e quanto mais os preços da energia permanecerem altos, mais forte será o provável impacto sobre a inflação mais ampla e a economia."

Os mercados financeiros agora preveem aumentos dos juros em junho e julho, seguidos por pelo menos mais um movimento no outono, com base na premissa de que o BCE estará interessado em acabar rapidamente com qualquer espiral de inflação, principalmente porque foi criticado por agir tardiamente em 2022.

"As expectativas de inflação de longo prazo permanecem bem ancoradas, embora as expectativas de inflação em horizontes mais curtos tenham subido significativamente", acrescentou o banco. "O Conselho do BCE não está se comprometendo previamente com uma trajetória específica dos juros."

Ainda assim, é provável que qualquer ciclo de aumento dos juros seja muito mais benigno do que em 2022, quando o BCE teve de elevar sua taxa básica em 450 pontos-base combinados em um período de um ano para deter o aumento descontrolado dos preços.

Atualmente, as pressões sobre os preços estão bem mais fracas, os efeitos de segunda ordem da inflação ainda não são visíveis, o mercado de trabalho está mais fraco, as taxas já estão mais altas e o crescimento econômico está próximo de estagnar.

De fato, a economia da zona do euro quase não cresceu no primeiro trimestre, mesmo antes de a guerra ter tido qualquer impacto significativo.

Enquanto isso, o núcleo da inflação, um componente fundamental examinado para avaliar a durabilidade do aumento dos preços, na verdade desacelerou de 2,3% para 2,2% em abril, o que sugere que os efeitos de segunda ordem não estão se consolidando de forma significativa.

Isso significa que o BCE deve agir com cuidado.

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