Início Economia BB tem lucro acima do esperado, mas inadimplência ainda pressionada no 2º tri
Economia

BB tem lucro acima do esperado, mas inadimplência ainda pressionada no 2º tri

Reuters

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 12 Ago (Reuters) - O Banco do Brasil teve lucro líquido ajustado de R$3,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com balanço divulgado nesta quarta-feira, em desempenho acima das previsões de analistas.

O resultado, porém, veio com inadimplência ainda pressionada, embora o custo do crédito tenha diminuído na base trimestral.

Projeções compiladas pela Reuters apontavam lucro de R$3,6 bilhões. Na comparação trimestral, o lucro avançou 13,9%. O BB manteve as previsões de desempenho para o ano.

O BB também divulgou aprovação de distribuição de R$584,9 milhões em juros sobre capital próprio complementares relativos ao segundo trimestre.

A carteira de crédito expandida do banco de controle estatal somava R$1,31 trilhão ao final de junho, alta de 1,5% ano a ano e de 0,6% ante os três meses anteriores. O portfólio de pessoa física somou R$357,6 bilhões, alta de 4,4% ano a ano, mas retração de 1,2% no trimestre, enquanto a carteira da pessoa jurídica expandida encolheu 2,5% ano a ano, mas subiu 1,6% ante o primeiro trimestre, para R$456,15 bilhões. No caso da carteira agro, houve expansão de 4,1% em 12 meses e de 0,8% no trimestre, para R$421,6 bilhões  

O índice de inadimplência acima de 90 dias total atingiu 5,61%, de 3,96% um ano antes e 5,05% nos primeiros três meses de 2026. Na pessoa física, atingiu 8,41%, de 5,59% um ano antes e 6,82% nos primeiros três meses de 2026, com forte deterioração na linha de cartão de crédito.

Em pessoa jurídica, a inadimplência ficou em 3,18%, de 3,85% no mesmo período do ano passado e de 2,87% no primeiro trimestre deste ano. Quando se considera apenas o segmento de micro, pequenas e médias empresas, o percentual alcança 9,73%. 

No segmento agro, que tem pressionado o balanço do BB há vários trimestres, a inadimplência acima de 90 dias avançou para 6,27%, de 3,16% um ano ante e 6,22% nos três meses imediatamente anteriores. No balanço, porém, o BB mostrou que a formação da inadimplência, conhecida no setor como "NPL creation", da carteira de crédito agro arrefeceu, somando R$5,72 bilhões - ainda acima dos números do segundo trimestre de 2025, quando totalizou R$3,58 bilhões, mas abaixo do registrado nos primeiros três meses de 2026, de R$7,18 bilhões. 

O BB revisou sua estratégia de concessão de crédito ao segmento rural, aumentando o rigor para a liberação de empréstimos, enquanto medidas governamentais também ajudaram a dar alívio ao balanço do banco, principal operador do agronegócio. No começo de julho, o banco anunciou R$210 bilhões para o financiamento da safra 2026/27.

Na carteira pessoa física porém, a NPL creation atingiu R$11,84 bilhões no segundo trimestre, de R$5,93 bilhões um ano antes e R$5,66 bilhões nos primeiros três meses de 2026, enquanto na pessoa jurídica atingiu R$3,88 bilhões, de R$5,85 bilhões um ano antes e R$2,46 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

No consolidado, o custo do crédito no BB cresceu 16,1% ano a ano, mas encolheu 2,1% na base trimestral, para quase R$18,5 bilhões. 

ROE DE 1 DÍGITO

O BB ainda apresentou no segundo trimestre o retorno sobre o patrimônio líquido de 8,3%, melhor do que os 7,3% dos primeiros três meses de 2026, mas quase igual aos 8,4% registrados no mesmo intervalo de 2025. 

A margem financeira bruta do BB somou R$27,5 bilhões no segundo trimestre, alta de 9,6% ano a ano e de 0,2% no trimestre, com apoio do resultado da tesouraria, que cresceu 10% e 2,1%, respectivamente.

Já as receitas de prestação de serviços aumentaram 4,2% ano a ano e 3,4% no trimestre, para R$9,1 bilhões, enquanto as despesas administrativas aumentaram 4,1% e 0,6%, respectivamente, para R$10,1 bilhões. O banco encerrou o trimestre com índice de eficiência de 28%, estável no trimestre. Um ano antes, era 27%. Neste indicador, quanto menor é o índice, melhor é a operação de um banco.

O índice de Basileia ficou em 13,91%, abaixo dos 14,14% do mesmo período do ano passado e dos 14,23% no primeiro trimestre do ano. O índice de capital principal alcançou 11,27%, de 10,97% um ano antes e 11,59% três meses antes.

(Por Paula Arend Laier e André Romani, edição Alberto Alerigi Jr.)

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!