O Cannes Lions começa nesta segunda-feira, 22, e segue até sexta-feira num dos mais interessantes desafios de seus 73 anos de história: provar sua relevância global após uma crise de confiança no ano passado. Na edição passada, campanhas sem a devida validação de veracidade foram finalistas.
Dentre essas campanhas, algumas das mais polêmicas eram brasileiras e ganharam Leões (retirados após a constatação de fraude). Tudo isso na edição em que o Brasil foi homenageado como "País criativo do ano".
Tecnologias em geral têm protagonizado muitas das discussões sobre governança em festivais como o Lions. Inteligência artificial é uma das principais. Ferramenta cada vez mais inevitável, encará-la exige seriedade e assertividade.
Manual
O festival implementou o Lions Integrity Handbook, um manual para assegurar a credibilidade dos trabalhos inscritos. O guia estabelece padrões éticos e processos de checagem humana e automatizada nos cases. Os jurados aprenderam a utilizá-lo e incorporaram maior rigor às suas análises. Não à toa os shortlists diminuíram.
Desse grupo de centenas de profissionais nos diversos júris do Lions, participam 30 brasileiros. Três deles são presidentes de júri: Rafael Pitanguy, chief creative officer global da VML, na categoria Brand Experience & Activation; Rafael Gil, CCO da Artplan, em Industry Craft; e Marcel Marcondes, global chief marketing officer da AB InBev, em Creative Brand.
Aliás, essa categoria é uma novidade de 2026. Creative Brand vem reforçar a importância das marcas na excelência criativa. Mais um forte sinal da preocupação do festival com a conexão entre publicidade e eficiência nos negócios.
IA avaliada
A organização integrou IA à avaliação de qualidade de trabalhos. A nova subcategoria AI Craft visa premiar boas ideias que usam a tecnologia na sua concepção ou execução de forma agregadora.
Na programação, o tema segue relevante. Destaque às palestras de executivos da OpenAI e do Google DeepMind. Os seminários têm ganhado novas trilhas. Neste ano, o evento inaugura o Lions Sport, após ter criado em 2025 o B2B Summit e, no ano retrasado, o Lions Creators.
O Estadão , representante oficial do Lions no Brasil há 25 anos, vai conferir o evento com equipe na França e profissionais em apoio direto do Brasil.
A estratégia abrange conteúdo digital e impresso, vídeos e redes sociais na atualização sobre os ganhadores de Leões e com análises sobre o maior encontro do mercado criativo global.
Finalistas
O Brasil começa o Lions 2026 mais discretamente. Nas shortlists (finalistas) anunciadas no final de semana, 126 inscrições foram mencionadas. Menos 47% na comparação com 2025. Há 41% menos inscrições brasileiras.
Isso se deve a dois motivos. O primeiro é que o Brasil como "País Criativo" no ano passado motivou maior número de delegados. Segundo, como o festival aumentou o rigor na verificação de cases, o número de inscrições de muitos países caiu.
Agências
No fim de semana, o Lions divulgou os shortlists de 22 áreas. Entre as agências nacionais com mais menções, estão VML, AlmapBBDO, LePub, Gut, Future Brand, Artplan, Droga5. Os anunciantes com destaque em campanhas brasileiras finalistas: Bradesco, Brahma, Coca-Cola, Doritos, Embratur, Grupo Pulsa, Heineken, Mercado Livre, O Boticário e Pedigree.
O País se destacou em Industry Craft, com 18 finalistas, e Health & Wellness, com dez brasileiros nos shortlists.
Um dos cases com chances é Amazônia, da FutureBrand São Paulo para a Embratur, que criou a primeira identidade visual unificada para a Amazônia Legal.
Destaque também a Despedidas, campanha de Dia das Mães da AlmapBBDO para O Boticário, que recoloca o Brasil na shortlist de Film.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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