O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), Willie Walsh, afirmou que 2026 será um ano desafiador para algumas companhias aéreas diante da disparada dos custos de combustível. No entanto, o executivo avalia que o atual cenário está longe da crise enfrentada pelo setor durante a pandemia de covid-19.
"Para algumas companhias aéreas, acho que este ano será muito, muito difícil. Mas não é nada parecido com o que a indústria viveu durante a pandemia", disse Walsh durante coletiva de imprensa na Assembleia Geral Anual da Iata, no Rio de Janeiro.
Segundo o executivo, o aumento da conta global de combustível em cerca de US$ 100 bilhões pode ter impacto "potencialmente existencial" para empresas que já operam em mercados mais fracos ou com margens reduzidas. Walsh observou, porém, que o setor continua crescendo e deverá permanecer lucrativo em termos consolidados.
O diretor-geral da Iata destacou que a demanda segue avançando. O tráfego aéreo global acumula alta de 2,1% no ano até o momento e, excluindo os impactos dos conflitos no Oriente Médio, o crescimento chega a 4,8%, segundo o executivo.
Por outro lado, durante a covid-19, a indústria aérea ficou paralisada. "Em maio de 2020, o tráfego aéreo chegou a cair 95% em relação ao ano anterior. Então era um cenário bem diferente", lembrou Walsh.
A Iata reduziu suas projeções para o desempenho financeiro do setor em 2026. A entidade passou a estimar lucro líquido global de US$ 23 bilhões, quase metade dos US$ 45 bilhões reportados no ano anterior. A revisão reflete principalmente a expectativa de preços mais elevados para o combustível de aviação em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio.
*A repórter viajou a convite da Iata



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