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Fertilizante brasileiro com nanotecnologia reduz dependência externa

Um fertilizante desenvolvido com nanotecnologia por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com a Embrapa e a empresa Krilltech, pode ajudar o Brasil a reduzir a dependência de fertilizantes importados, segundo estudo publicado em fevereiro na revista científica JSFA Reports. O produto, batizado de Arbolina, usa "carbon dots", pontos de carbono, nanopartículas centenas de vezes menores que um fio de cabelo que liberam nutrientes de forma controlada para as plantas.

De acordo com o levantamento, o Brasil importa cerca de 6 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários por ano, contra apenas 1 milhão de toneladas produzidas no país, diferença que se mantém estável há anos e representa um risco para a produção de alimentos. Os pesquisadores identificaram ainda que, entre mais de 10 mil patentes ligadas a fertilizantes com pontos de carbono registradas no mundo, apenas 26 atendem aos critérios da tecnologia usada no Arbolina, o que indica um mercado global pouco explorado.

Um segundo estudo, publicado em abril no Journal of the Science of Food and Agriculture, testou o Arbolina em lavouras de melão no semiárido brasileiro, região sujeita a escassez de água. A aplicação de 4 litros do bioestimulante por hectare aumentou a produtividade do melão em até 32,58% em relação a plantações sem o produto, e a irrigação com 75% do volume de água recomendado obteve rendimento parecido ao da irrigação plena, acima de 34 toneladas por hectare, com economia de água.

Os autores apontam que a tecnologia ainda está em estágio inicial de adoção, mas veem potencial para diminuir a dependência brasileira de insumos estrangeiros em um momento de aumento da demanda mundial por alimentos. A pesquisa teve apoio da UnB e da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e financiamento de fundações públicas de apoio à pesquisa.

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