Três brasileiros apontados como líderes de uma rede de fabricação e falsificação de anabolizantes foram presos em Ciudad del Este, no Paraguai, dentro da Operação Narciso, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Civil do Distrito Federal. As prisões contaram com apoio da Polícia Federal em Foz do Iguaçu e das autoridades paraguaias.
Ao todo, a Justiça expediu 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, cumpridos em vários estados brasileiros e no país vizinho. As decisões determinaram ainda o bloqueio de mais de R$ 32 milhões, o sequestro de veículos de luxo, o fechamento de 13 estabelecimentos e laboratórios e a retirada de 22 perfis de redes sociais usados para divulgar os produtos e atrair compradores. Entre os detidos há farmacêuticos, biomédicos, veterinários e donos de academia.
Segundo a investigação, os produtos eram feitos em laboratórios clandestinos, muitos deles improvisados em residências, e vendidos nas formas oral e injetável. Insumos importados da Índia, da China e do Paraguai eram misturados a substâncias como óleo de cozinha e óleos de semente de uva e de arroz, manipulados sem qualquer condição de esterilidade, para render mais volume e ampliar o lucro.
O inquérito apura falsificação de medicamentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com possibilidade de enquadramento também por tráfico de drogas, já que parte das substâncias está na lista de controle especial. As penas podem somar entre 40 e 50 anos. A polícia estima que cerca de 80% do mercado brasileiro de anabolizantes seja abastecido por produtos falsificados, o que transforma o caso em um problema de saúde pública além da esfera criminal.



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