O Comando Vermelho (CV), principal organização criminosa do Rio de Janeiro, virou alvo de investigação da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública por financiar a ida de criminosos sem antecedentes para atuar como voluntários na guerra entre Rússia e Ucrânia.
O objetivo estratégico da facção, conforme uma publicação da CNN, é transformar o front europeu em um campo de treinamento avançado: ao enviarem esses homens para o conflito, os líderes esperam que eles absorvam táticas de combate militar e retornem ao país aptos a repassar o conhecimento técnico ao restante do grupo.
Para burlar a fiscalização, a facção montou uma rota internacional indireta. Os voluntários deixam o Brasil com destino a Portugal ou Holanda, seguem para a Sérvia e, a partir dali, cruzam a fronteira terrestre até o território ucraniano. As autoridades de inteligência fluminenses já identificaram pelo menos dois integrantes que operaram nesse esquema; após passarem cerca de um ano no teatro de operações estrangeiro, ambos regressaram e se instalaram no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Paralelamente à capacitação tática, o CV tem investido fortemente na modernização do seu arsenal tecnológico com a aquisição de drones agrícolas de grande porte. Com capacidade para carregar até 80 quilos — carga pesada o suficiente para transportar, de uma só vez, o equivalente a 20 fuzis FAL calibre 7.62 sem carregadores —, esses equipamentos foram projetados para transferir armas e drogas por vias aéreas entre favelas, evitando barreiras policiais no asfalto. Há também o alerta de que os dispositivos possam ser adaptados para monitorar a movimentação de viaturas e até lançar artefatos explosivos em comunidades rivais.
A sofisticação operacional e o forte poder de fogo projetado pela facção acenderam o sinal de alerta máximo entre as autoridades de segurança pública. O receio é que a combinação de técnicas de guerra com tecnologia de ponta eleve drasticamente a letalidade dos confrontos urbanos e consolide o domínio territorial do tráfico em redutos estratégicos do grupo, como os complexos do Alemão e da Penha.




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