Mais de 7 mil indígenas reunidos no Acampamento Terra Livre (ATL) realizam, na tarde desta quinta-feira (9), uma mobilização decisiva na capital federal. A partir das 14h, o grupo percorrerá o trajeto entre o Eixo Monumental e a Esplanada dos Ministérios com uma pauta central: barrar o avanço da exploração de petróleo e gás em territórios ancestrais.
A movimentação ocorre em um momento estratégico. Após a COP30, realizada em Belém no ano passado, o governo brasileiro viu sua proposta de um "Mapa do Caminho" para a transição energética enfrentar resistência e não atingir o consenso global esperado. Agora, as lideranças indígenas querem garantir que esse discurso de sustentabilidade seja aplicado, na prática, dentro do país.
O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinaman Tuxá, reforça que o movimento busca dar corpo às promessas feitas pelo Executivo no cenário internacional:
“Estamos apresentando propostas para serem incluídas no texto do governo, focando no desmatamento zero e na não exploração de petróleo e gás em nossas terras.”
O documento com as reivindicações será entregue diretamente ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. No entanto, a pressão não se limita ao Itamaraty. O cronograma de mobilização prevê passagens por pastas estratégicas para o setor:
Povos Indígenas e Meio Ambiente: Pauta sobre proteção territorial e clima.
Agricultura e Pecuária: Discussões sobre conflitos agrários.
Itamaraty: Política externa e compromissos climáticos.
Além do veto aos combustíveis fósseis, a marcha reforça o pedido histórico por mais demarcações de terras e pelo fortalecimento de políticas públicas voltadas às comunidades originárias. Segundo a Apib, a proteção desses territórios é a barreira mais eficaz contra a crise climática discutida nos fóruns globais.



