O fim da jornada 6x1 corre o risco de sair do radar do Congresso até a definição das eleições de 2026. A hipótese foi tratada por Lula e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em conversa realizada na terça-feira (4 de agosto), num encontro mediado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Além do calendário de votações, a reunião serviu para reaproximar os dois — foi a primeira desde que o Senado derrubou a indicação de Jorge Messias para a Corte, episódio que azedou a relação entre o Planalto e a Casa Alta.
Os dois teriam saído satisfeitos da conversa, segundo relatos feitos a aliados, e novas rodadas de articulação estão previstas. Nada, porém, está fechado. Dentro do governo, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) avalia que a proposta não tem ambiente favorável para tramitar agora e que o clima eleitoral pesa contra qualquer negociação. A leitura não é unânime: Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, pressiona por rapidez, e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) está entre os petistas que querem a votação ainda em 2026.
O momento também é delicado para Alcolumbre, que trabalha nos bastidores para seguir no comando do Senado depois que seu mandato à frente da Mesa terminar, em 1º de fevereiro de 2027. Parlamentares avaliam que a pauta de votações virou moeda nas conversas entre o senador e o Planalto, ao lado de temas como a escolha do próximo nome para o Supremo. O desfecho da eleição presidencial deve ser decisivo: uma reeleição de Lula ampliaria as chances da proposta no Senado, enquanto uma derrota tende a enterrá-la — o PL já defende que o texto não avance sob um eventual governo de oposição.
Enquanto a 6x1 fica no limbo, o governo elegeu outras prioridades para o segundo semestre: a medida provisória da chamada "taxa das blusinhas", o marco legal dos minerais críticos e a PEC da Segurança Pública, itens citados pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), e pela líder do governo no Congresso, Teresa Leitão (PE). A pauta dos minerais críticos é a que reúne maior consenso entre os parlamentares; já a MP das importações tem prazo curto — perde a validade em setembro se não for votada.



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