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Com 4 painéis, Boulevard São João deve sair até setembro

Estadão

O projeto Boulevard São João, apelidado de Times Square paulistana, deve sair do papel entre agosto e setembro. O termo de cooperação de três anos entre a Prefeitura e a Fábrica de Bares - que gere o Bar Brahma e outros empreendimentos, proponente da iniciativa - foi publicado no Diário Oficial nesta quinta-feira 23. O evento com detalhes do projeto uniu o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que havia demonstrado entusiasmo pelo projeto municipal em um vídeo publicado nesta semana em suas redes sociais. O tom foi de uma ação em parceria entre os dois governos.

Dessa forma, quatro painéis de LED, com dimensões que vão de 300 a 1.000 m², serão instalados na região. Neles, serão veiculados 70% de conteúdo cultural e de utilidade pública e 30% de conteúdo de patrocinadores. A Fábrica de Bares deve investir pelo menos R$2 milhões ao ano em melhorias ao longo do triênio, incluindo o restauro de monumentos como a fachada da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paiçandu, e a instalação de mobiliário urbano. A expectativa dos empresários e do poder público é que as intervenções aumentem a atratividade e circulação de pessoas, contribuindo para a "recuperação" do centro histórico.

Tarcísio prometeu reforçar o policiamento na região, com aumento de pontos de estacionamento de viaturas em patrulhamento com motocicletas, resultando em 300 homens a mais por dia, e exaltou a parceria com Nunes para "devolver o centro às pessoas".

"O somatório de vários pequenos projetos é o que vai dar certo, vai trazer as pessoas de volta (ao centro). Isso já está acontecendo", disse Freitas, citando ações como o combate à Cracolândia, a remoção da favela do Moinho e a instalação da nova sede estadual.

Além da instalação dos painéis, o Boulevard São João prevê uma programação com atividades culturais no trecho da São João que vai do Largo do Paiçandu até o cruzamento com a Rua dos Timbiras. O cruzamento ficará fechado para os carros das 18h de sábado às 23h do domingo e quatro pequenos palcos para apresentações artísticas serão montados ao longo desse eixo. Outras atividades como feiras e um "grande evento público" mensal estão previstas.

As atrações culturais serão bancadas pela empresa, usando parte da arrecadação levantada pelos patrocínios, e selecionadas em parceria com o poder público, que também pode ficar a cargo de "apoio estrutural", como na montagem de palcos e fornecimento de equipamentos, segundo Álvaro Aoas, empresário da Fábrica de Bares.

Reações

Urbanistas consultados pelo Estadão veem os benefícios gerados pelo empreendimento com cautela, especialmente diante do legado positivo da Lei Cidade Limpa. Exemplos internacionais mostram que a eventual inserção de painéis não promove requalificação urbana por si só, assim como a importância de que sejam bem regulados e fiscalizados. Indagado a respeito, o prefeito afirmou ainda que "não existe nenhuma hipótese de acabar com a Cidade Limpa" e negou haver perspectiva de projetos semelhantes em outras áreas da cidade.

Extensão de horário

O prefeito disse que ainda vai tentar "acabar" com a limitação de horário para o funcionamento dos painéis. Atualmente, há previsão de que as estruturas sejam desligadas das 23h às 5h, seguindo determinação da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), responsável pela aplicação da Lei Cidade Limpa.

"O projeto foi aprovado pela CPPU em março e respeito muito o que foi decidido lá, obviamente, mas acho que está errado esse negócio de 23h. Não tem o menor sentido desligar às 23h. É uma coisa que vou demandar lá, eles podem aprovar ou não aprovar", disse o prefeito.

A presidente da CPPU, Regina Monteiro, pediu "muita calma" ao ser interpelada pelo prefeito. O excesso de luminosidade dos painéis, principalmente durante a noite, gera preocupação com a segurança no trânsito (pela possibilidade de ofuscar a visão dos motoristas) e com o distúrbio para moradores. O horário de funcionamento delimitado visa a minimizar esses impactos.

"A restrição no período noturno entrou como um dos condicionantes do projeto, justamente devido a uma série de discussões que tem acontecido na CPPU em relação aos painéis de LED. Isso sempre é matéria de bastante discussão dentro do conselho quando há a apreciação de algum projeto com luminantes, porque a gente tenta mitigar esses impactos principalmente no período noturno", afirmou ao Estadão a arquiteta e urbanista Mariana Cavalcanti, representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) na CPPU. "É de praxe que todos esses projetos tenham limitações de horário, de candelas, de quantidade de iluminação que esses painéis vão emitir a depender do horário do dia. Isso foi estabelecido a partir de estudos (técnicos) apresentados."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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