Os pesquisadores Henri B. Kagan, da França, e Kenso Soai, do Japão, ganharam o Nobel de Química de 2026 nesta quarta-feira (7). A premiação reconhece a descoberta de efeitos não lineares e da autocatálise na síntese orgânica assimétrica.
O trabalho dos dois cientistas ajudou a explicar como reações químicas podem favorecer uma das duas versões espelhadas de uma molécula. O fenômeno é conhecido como homoquiralidade e está presente em moléculas importantes para a vida, como os aminoácidos.
Na prática, as descobertas permitem maior controle sobre a formação dessas moléculas. Isso é especialmente importante na produção de medicamentos, já que duas versões espelhadas de uma mesma substância podem ter efeitos diferentes no organismo — uma pode apresentar o efeito desejado, enquanto a outra pode ser ineficaz ou até prejudicial.
Kagan apresentou, em 1986, uma forma de amplificar pequenas diferenças entre as versões espelhadas produzidas em uma reação. Soai avançou nessa linha de pesquisa a partir dos anos 1990 e desenvolveu uma reação de autocatálise capaz de favorecer fortemente uma única forma molecular.
O Nobel destacou que os trabalhos dos pesquisadores ajudaram a solucionar um problema que intrigava a ciência havia mais de um século: entender como a homoquiralidade pode surgir espontaneamente.
Os dois cientistas dividirão o prêmio de 12 milhões de coroas suecas, além de receberem medalha e diploma. A cerimônia de entrega está marcada para 10 de dezembro, em Estocolmo.
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