A crise do banco digital Ueno, no Paraguai, provocou prejuízos a brasileiros que vivem e trabalham no país. Entre os afetados estão um empresário que perdeu o acesso a mais de R$ 200 mil, uma cambista que ficou sem o dinheiro reservado para as férias de fim de ano e um comerciante que teve parte do capital de giro comprometido.
A instituição, que tinha aproximadamente 3 milhões de clientes, foi liquidada pelo Banco Central paraguaio após a identificação de problemas financeiros. A medida impediu que correntistas movimentassem normalmente os valores mantidos nas contas.
Um dos casos é o do empresário brasileiro Pedro Treméa, de 61 anos, proprietário de uma empresa de refrigeração em Ciudad del Este, na região da Tríplice Fronteira. Ele mantinha uma conta no Ueno desde quando a instituição ainda operava como Banco Visión, incorporado em 2021.
O empresário utilizava a conta principalmente para movimentar o capital de giro da empresa. Embora tenha perdido o acesso a mais de R$ 200 mil, afirmou que o impacto poderia ter sido ainda maior se todos os recursos estivessem concentrados na mesma instituição.
"Como empresa, não colocamos todo o recurso em um único banco. No Paraguai é muito utilizado o alias, sistema de transferência instantânea semelhante ao Pix, e mantemos duas ou três contas em instituições diferentes", relatou.
Além do dinheiro bloqueado, Pedro teme consequências para os negócios, que dependem da importação de produtos do Brasil e de operações realizadas em reais e dólares. Ele também informou que todos os funcionários da empresa tinham contas no Ueno.
Brasileira perde dinheiro reservado para férias
Outra afetada é Dalma Morinigo, de 31 anos, que mora há quatro anos em Ciudad del Este e trabalha em uma casa de câmbio. Ela tinha mais de R$ 7 mil guardados na instituição, valor que pretendia utilizar nas férias de fim de ano.
A brasileira também utilizava a conta para receber pagamentos de clientes. Ao tentar acessar o aplicativo depois da notícia da crise, percebeu que o saldo não estava mais disponível e que não conseguia realizar operações.
Dalma contou que escolheu o banco pela facilidade de abertura de conta, pelos serviços digitais e pela presença de caixas eletrônicos em diferentes pontos da cidade.
Ela também relatou que, poucos dias antes da liquidação, a instituição oferecia uma campanha de reembolso de 50% sobre determinados valores mantidos nas contas. Na avaliação da cliente, a promoção incentivou correntistas a deixar o dinheiro depositado.
"Não há muito a ser feito, temos que esperar. Dizem que até em cinco dias iremos receber, mas não acredito muito nisso", afirmou.
Comerciante teve prejuízo menor
O brasileiro Marcelo Bernard, de 26 anos, proprietário de uma oficina em Presidente Franco, também teve dinheiro bloqueado. Ele mantinha aproximadamente 5 milhões de guaranis na instituição, equivalentes a cerca de R$ 4,5 mil.
O prejuízo foi menor porque o comerciante mantinha a maior parte do capital de giro em dinheiro físico, já que muitos pagamentos no Paraguai ainda são feitos em espécie.
Quanto os clientes podem recuperar?
O Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) do Paraguai prevê cobertura de até 228,3 milhões de guaranis por cliente e por instituição financeira, aproximadamente R$ 200 mil.
Isso significa que depósitos dentro desse limite têm proteção garantida pelo mecanismo. Já os valores que ultrapassam o teto dependem do processo de resolução da instituição para que os clientes tentem recuperar o restante.
A crise atingiu uma instituição que reunia cerca de 3 milhões de correntistas, aproximadamente 60% da população adulta paraguaia. O episódio também provocou repercussões políticas no país e aumentou a preocupação de brasileiros que utilizam o sistema bancário paraguaio.
As autoridades anunciaram medidas para acelerar a devolução dos depósitos, mas clientes que possuem valores acima da cobertura ainda enfrentam incertezas sobre a recuperação integral do dinheiro
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