A Polícia Federal encontrou mensagens em que a lobista Roberta Luchsinger orienta um operador financeiro a realizar transferências para dois integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Os pagamentos foram feitos em junho de 2023 e são alvo de investigação.
Nas conversas, obtidas pela PF durante a análise do celular de Roberta, ela determina a Ulisses Barbosa que faça os depósitos para Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do MDS, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial da pasta comandada pelo ministro Wellington Dias.
As mensagens foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela CNN Brasil.
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a movimentação de R$ 60 mil em espécie. Segundo os diálogos, Roberta mantinha o dinheiro dentro de uma sacola em casa e pediu que Ulisses retirasse a quantia para realizar os pagamentos.
O operador demonstrou preocupação com a movimentação do valor e alertou sobre possíveis questionamentos bancários.
“Esse montante de 60k tem que ser diluído para depositar.. pq o banco faz uma série de questionamentos”, escreveu Barbosa.
Roberta então orientou que o dinheiro fosse dividido entre contas diferentes. No mesmo dia, Ulisses informou que estava no banco e relatou que depósitos superiores a R$ 50 mil por CPF poderiam gerar alertas.
“Acima de 50 mil por dia por CPF a moça disse que o Banco Central já fica de olho.. já aciona tipo um alerta lá”, afirmou.
Mesmo diante do alerta, Roberta pediu que as transferências fossem realizadas. Os pagamentos para Ranniêr Costa Ciríaco e José Martinho Ferreira de Araújo ocorreram naquele dia.
A PF também analisa dados obtidos a partir da quebra dos sigilos de Roberta para identificar se houve outros pagamentos destinados a integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social.
A investigação ganhou outro elemento porque, pouco mais de seis meses depois das transferências, o MDS firmou contrato de R$ 31,2 milhões com a 3Structure, empresa representada por Roberta. Em abril de 2026, a pasta celebrou um novo contrato com a companhia, desta vez no valor de R$ 19,2 milhões.
Roberta é investigada ainda no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS. Ela foi alvo de medidas como busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e uso de tornozeleira eletrônica.
De acordo com a investigação da PF, a consultoria de Roberta teria prestado serviços para uma empresa ligada a Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e recebido R$ 1,5 milhão pelo trabalho.
Os investigadores também apuram se Roberta atuaria como intermediária em possíveis pagamentos destinados a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Em relatório encaminhado ao STF, a PF apontou que o nome dele aparece em conversas entre Roberta e Cleber Ribas, proprietário da 3Structure, como suposto “destinatário de pagamentos e benefícios”.
Roberta Luchsinger, o Ministério do Desenvolvimento Social e as defesas de Ranniêr Costa Ciríaco e José Martinho Ferreira de Araújo foram procurados. O espaço permanece aberto para manifestações.
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