Manaus precisa, acima de tudo, preservar o cidadão comum, aquele que acorda cedo, paga a passagem, enfrenta o trânsito e apenas espera chegar ao seu destino.
A liberdade de reivindicar, por mais legítima que seja, não pode resultar a milhares de pessoas um custo que não escolheram suportar.
Quando os ônibus param, a cidade inteira sente.
O estudante perde aula.
O trabalhador corre o risco de faltar ao emprego.
O paciente deixa de chegar ao hospital ou à consulta marcada.
Famílias não conseguem visitar parentes internados.
Pequenos comerciantes veem o movimento desaparecer.
São pessoas que não participam da negociação entre empresas e empregados, mas acabam pagando a conta de um impasse que não criaram.
Foi para evitar esse efeito que a Justiça preservou o direito de greve, mas determinou que uma parte da frota continuasse circulando.
A mensagem é simples: uma cidade não pode parar completamente. Quem reivindica direitos merece ser ouvido. Mas quem depende do transporte para trabalhar, estudar, cuidar da saúde ou sustentar a família também precisa ser respeitado.
Sempre que o exercício de um direito provoca consequências para milhares de pessoas que nada têm a ver com o conflito, surge também o dever de agir com responsabilidade.
Viver em sociedade significa compreender que nossas escolhas nunca terminam em nós mesmos. Elas alcançam a vida de outras pessoas e, muitas vezes, de toda uma cidade.
Manaus precisa de trabalhadores valorizados, de empresas dispostas ao diálogo e de autoridades capazes de construir soluções.
Nenhuma reivindicação perde força por respeitar a população. Pelo contrário. Quando direitos caminham ao lado da responsabilidade, todos ganham. Quando a cidade é transformada em refém, todos perdem.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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