O Supremo Tribunal Federal deve retomar nos próximos dias o julgamento sobre o formato da eleição para o governo do Rio de Janeiro. A publicação do acórdão do TSE, que declarou a inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro, removeu o principal motivo do pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino. Agora, ele terá de se manifestar — e sua posição pode ser decisiva.
O ponto central não é apenas quem assume, mas como se assume. A discussão gira em torno da natureza da saída do cargo.
Foi uma renúncia válida, que permite eleição indireta? Ou uma manobra para evitar os efeitos de uma decisão eleitoral, o que exigiria voto direto da população?
Essa distinção não é técnica demais para o cidadão entender: ela define se o povo vota ou se o Parlamento escolhe.
Embora o caso fluminense tenha suas particularidades, o debate não fica confinado a um único estado.
Quando o Supremo decide sobre renúncias ocorridas às vésperas do calendário eleitoral, ele acaba fixando parâmetros que orientam situações semelhantes.
E esse ponto dialoga diretamente com o que ocorreu no Amazonas.
Aqui, também houve renúncia simultânea do governador e do vice, no último dia do prazo para deixar o cargo antes das eleições. A solução adotada foi a eleição indireta na Assembleia, sob o enquadramento de “causa não eleitoral”. O processo segue seu curso formal.
A pergunta de fundo — se a natureza da saída influencia o tipo de eleição — é a mesma que agora está diante do olhar dos supremos ?
Com o voto do supremo Flávio Dino ainda pendente e a decisão prestes a ser concluída, o debate pode ganhar dimensão nacional. Isso não significa que haverá efeito automático no Amazonas. Significa que o entendimento firmado no Rio poderá servir de referência, de argumento, de parâmetro.
Quando renúncia e calendário eleitoral se encontram na mesma esquina, a discussão raramente termina no primeiro quarteirão. E o que o Supremo disser agora pode ecoar além das fronteiras fluminenses.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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