Água e energia são prestadas por concessionárias, mas a concessão não significa ausência do Estado e do município. Ao contrário: cabe ao poder público acompanhar contratos, fiscalizar obrigações, cobrar investimentos e verificar se interrupções anunciadas como necessárias estão sendo executadas dentro de prazos razoáveis e com o menor impacto possível para a população.
Quando falta água ou energia durante horas ou dias, o problema não fica restrito à relação entre empresa e consumidor: alcança escolas, unidades de saúde, comércio, famílias e a atividade econômica da cidade.
A repetição de interrupções no fornecimento de água e energia em Manaus deixou de ser um problema episódico para se transformar em questão que exige maior atenção do poder público.
Em uma cidade extensa, quente e com forte dependência desses serviços, longos períodos de desabastecimento atingem diretamente a rotina, a saúde e a própria dignidade da população.
É evidente que redes de água e energia precisam de manutenção e que intervenções técnicas, em determinadas circunstâncias, são inevitáveis.
O que não pode ser tratado como normal é a demora excessiva na recuperação dos serviços ou a sucessão de suspensões que deixam bairros inteiros expostos a transtornos recorrentes.
Essa discussão também deve entrar na agenda eleitoral. Candidatos ao Governo, à Assembleia Legislativa e ao Congresso precisam dizer de maneira objetiva como pretendem atuar diante de serviços concedidos que afetam milhões de pessoas.
Mesmo quando determinada atribuição pertence a outra esfera administrativa, representantes eleitos não podem simplesmente considerar o problema alheio às suas responsabilidades políticas.
Manaus concentra parcela expressiva da população e do eleitorado do Amazonas.
Mais do que novas promessas, o momento exige fiscalização permanente e mais rigorosa sobre as concessionárias, especialmente diante de suspensões programadas.
Cabe aos órgãos de controle acompanhar sua necessidade, fiscalizar sua execução e cobrar o rápido restabelecimento dos serviços.
Concessão pública não pode significar liberdade para prestar um serviço essencial sem a vigilância correspondente do poder público.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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