A divergência, a ironia e o confronto de ideias fazem parte das eleições. A fronteira começa a ser ultrapassada quando a disputa deixa de questionar fatos para alterá-los, omiti-los ou apresentá-los de maneira capaz de criar uma realidade que não existe. Exemplo disso é a falsa entrevista em que o candidato a deputado federal, Alexandre Salazar, o "sargento Salazar", aparece sendo falsamente entrevistado pelo jornalista Roberto Cabrini.
Em tempos de inteligência artificial e comunicação instantânea, talvez esse seja um dos maiores desafios: garantir que a tecnologia amplie o debate democrático, em vez de tornar mais difícil distinguir realidade de manipulação.
As eleições pertencem aos candidatos durante a campanha, mas a decisão pertence ao cidadão. Proteger essa escolha não significa dizer ao eleitor em quem votar, mas assegurar-lhe condições para conhecer os fatos e formar livremente sua própria convicção.
Essa campanha eleitoral começa a revelar um desafio. Em um ambiente dominado pelas redes sociais e cada vez mais influenciado pela inteligência artificial, preservar a liberdade do debate sem permitir que informações falsas ou manipuladas distorçam a escolha do eleitor tornou-se uma responsabilidade de todos os candidatos.
A Justiça Eleitoral vem ampliando mecanismos para acompanhar a desinformação e o uso indevido de inteligência artificial, enquanto decisões recentes no Amazonas determinaram a retirada de conteúdos considerados ofensivos ou capazes de induzir o eleitor ao erro. Mas os mecanismos de prevenção não acompanham a velocidade com que as informações falsas circulam.
São sinais de uma campanha em que imagens, vídeos e mensagens poderão circular com dimensão muito maior do que a capacidade de esclarecer posteriormente aquilo que não corresponde aos fatos.
Isso não significa reduzir o espaço da crítica política. Candidatos precisam estar submetidos ao escrutínio público, inclusive sobre suas administrações, trajetórias, contradições e decisões.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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