Início Coluna do Holanda Afronta a um ministro: Por que Lula não demite o chefe da PF?
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Afronta a um ministro: Por que Lula não demite o chefe da PF?

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Por Holanda
02/09/2026 22h36 — em Coluna do Holanda

O tom inicial ríspido de Edson Fachin sobre a necessidade de investigar o episódio envolvendo o ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro esvaeceu com a sessão desta quarta-feira do STF. O assunto foi esquecido e parece ser esse o objetivo do presidente e de toda a corte.

Pode ter havido um acordão. Ninguém sabe como ou com quem foi combinado. Se a sociedade vai reagir diante dessa passividade de Fachin, é difícil dizer, porque o país mudou, se dividiu, cansou, se acostumou a barbárie dos donos do poder, dos supremos e seus asseclas.

O próprio comportamento do chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, feroz crítico das ações do ministro André Mendonça, já seria motivo de demissão sumária pelo presidente Lula. Mas Andrei continua falando como se tivesse autoridade para afrontar um ministro da suprema corte.

As informações envolvendo Daniel Vorcaro colocaram Moraes numa posição incomum: a de ver sua própria conduta submetida ao escrutínio dos colegas. Mas se esse é o caminho esperado, a sessão desta quarta-feira, de absoluta indiferença ao tema, deixou um rastro de suspeita de acordos não republicanos para salvar não a democracia ou um tribunal, mas a pele de um ministro envolvido com um falsário que provocou o maior escândalo financeiro do país.

Se a permanência de Moraes passou a produzir um custo institucional crescente para ele próprio, a forma como Fachin vem agindo fragiliza mais ainda a corte.

Em outros países, como o Chile, ministros de cortes superiores já foram afastados por condutas que sequer dependiam de condenação criminal.

A lógica é simples: quem ocupa a mais alta magistratura não precisa apenas estar livre de crimes; precisa preservar confiança, imparcialidade e autoridade pública.

Moraes ainda pode escolher o caminho menos desgastante. A renúncia não seria confissão, nem encerraria eventuais apurações. Seria uma decisão pessoal de preservar sua trajetória antes que sua permanência passe a ser discutida e decidida por terceiros.

Para quem fez da defesa das instituições uma marca pública, talvez a maior demonstração de coerência seja saber quando colocar a instituição acima de si próprio.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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