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Proprietária do Bar do Armando quebra o silêncio sobre processo de despejo e expõe bastidores

Proprietária do Bar do Armando quebra o silêncio sobre processo de despejo e expõe bastidores
Foto: Jander Robson / Portal do Holanda

Manaus/AM - Em entrevista ao Portal do Holanda, a empresária Ana Cláudia Soeiro Soares, proprietária do tradicional Bar do Armando, rompeu o silêncio sobre a batalha jurídica que ameaça a permanência do estabelecimento no Largo de São Sebastião, Centro de Manaus. Reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Amazonas, o bar enfrenta uma ação de despejo para "uso próprio" movida pela Prelazia do Alto Solimões.

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Durante a conversa, Ana Cláudia detalhou o histórico da relação contratual com a Igreja, rebatou acusações que circulam nas redes sociais e criticou a postura financeira da ordem religiosa que administra o imóvel.

De acordo com a proprietária, as especulações de que a Igreja pretendia reaver o imóvel não são recentes e já preocupavam seu pai, o fundador Armando Soares, há cerca de 30 anos. Contudo, devido ao prestígio e carisma de Armando na sociedade manauara, nenhuma medida drástica havia sido tomada em vida.

A situação mudou drasticamente logo após o falecimento do patriarca: "Apenas quatro dias após o falecimento do meu pai, fomos chamados para uma reunião para assinar um contrato por escrito. O último contrato formal havia vencido há mais de 20 anos, embora o aluguel nunca tenha deixado de ser pago. Não tiveram a sensibilidade de esperar passar uma semana do luto para tratar de negócios", desabafou a empresária.

Após o primeiro contrato de transição de três anos, a empresária recebeu uma notificação em 2015 dando-lhe menos de 20 dias para desocupar o local. Na ocasião, o então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, interveio e mediou uma tensa reunião de mais de três horas com o bispo da Prelazia, Dom Adolfo, e advogados da instituição.

O encontro resultou em um novo contrato de dois anos, mas com cláusulas restritivas que previam a não renovação ao término do prazo. Sabendo disso, Ana Cláudia acionou a Justiça:

  • Ação Renovatória de Aluguel: Seis meses antes do fim do contrato, a empresária ingressou com a ação por cumprir o requisito legal de cinco anos de atividade comercial ininterrupta (somando os contratos de 3 e 2 anos).

  • Ação de Despejo: Em resposta, um ano depois, a Prelazia do Alto Solimões entrou com uma ação de despejo alegando "uso próprio" do imóvel.

Ana Cláudia fez questão de desmentir boatos de inadimplência e tentativas de apropriação indébita:

  1. Sem atrasos: Ela enfatizou que o processo não é por falta de pagamento. "É mentira que sou caloteira. Desafio qualquer pessoa a provar que deixamos de pagar o aluguel."

  2. Sem Usucapião: A empresária também negou ter tentado obter a propriedade por usucapião. "Sempre tive consciência de que o imóvel pertence aos padres capuchinhos. Entrar com usucapião seria legal, mas não seria moral."

Em tom de desabafo, a proprietária questionou a necessidade da Prelazia do Alto Solimões de reaver justamente o prédio do Bar do Armando, apontando o vasto patrimônio imobiliário que a ordem possui no Centro de Manaus.

"Eles têm centenas de imóveis no Centro e recebem milhares de reais por mês em aluguéis. Por que pegar dinheiro público, emendas parlamentares e verbas de secretarias para reformar a Igreja de São Sebastião, se eles têm essa receita? Por que não pediram outro imóvel que não tenha o valor artístico, cultural e histórico do Bar do Armando?"

Ana Cláudia mencionou ainda que a Prelazia possui histórico de outras disputas territoriais e imobiliárias na região, citando impasses antigos envolvendo o Colégio Adalberto Vale e a antiga Casa do Estudante, na rua Tapajós.

Para a empresária, a pressão para a saída do bar — que funciona há 63 anos no mesmo ponto — reflete interesses imobiliários que buscam "elitizar" o Largo de São Sebastião, descaracterizando o espaço como um reduto de cultura popular e de valorização da Música Popular Brasileira (MPB).

Em resposta ao andamento do processo, a administração do bar convocou clientes, artistas, defensores do patrimônio histórico e a população em geral para um ato em favor do Bar do Armando.

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