Manaus/AM - Em uma análise sobre conteúdos que circulam na internet criticando o modelo econômico da Região Norte, o advogado Marcelo Ramos saiu em defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM). Para Ramos, o material que aponta a ZFM como ineficiente e custosa constitui um "ataque de desinformação, ignorância e preconceito" contra o Amazonas e o projeto de integração nacional.
Ramos resgata o histórico e a sustentação jurídica do polo industrial, lembrando que a existência da Zona Franca em um dos pontos mais distantes e logísticos do mapa brasileiro é uma decisão soberana do povo brasileiro materializada na Constituição de 1988.
O político destaca que dispositivos constitucionais — como o artigo 3º, inciso III, e o artigo 43 — estabelecem como dever fundamental da República a redução das desigualdades sociais e regionais.
"O Brasil é um país de dimensões continentais e precisa, até por comando constitucional, combater as desigualdades regionais. Tem gente que acha que o Brasil tem que ser uma ilha de prosperidade no Sudeste, cercada por um mar de miséria e desigualdade no resto do país", alfineta.
Durante a análise, Ramos confronta os argumentos sobre o custo tributário da ZFM e escancara a distorção dos dados apresentados pelos críticos:
O advogado aponta que o estado paulista — dotado de infraestrutura robusta de rodovias, portos, aeroportos e proximidade de grandes mercados — é o maior beneficiário de renúncia fiscal do Brasil, concentrando mais de 30% de todos os tributos aos quais a União abre mão, o que soma cerca de 900 bilhões de reais.
Outros setores contemplados: Ele compara os cerca de 26 bilhões de reais da ZFM (voltados a manter a floresta e gerar empregos) com os expressivos benefícios tributários concedidos ao agronegócio e ao setor automobilístico em outras regiões, reforçando que a abertura de mão de tributos para atrair investimentos é uma prática adotada em todo o país, e não exclusividade amazonense.
Para desmistificar a narrativa de que o polo se resume a "montar parafuso", Ramos detalha a realidade técnica de setores emblemáticos:
Ar-condicionado e compressores: Responde às críticas sobre a suposta baixa eficiência energética do produto local, revelando que o problema decorre de exigências do Processo Produtivo Básico (PPB) que obrigam o uso de compressores nacionais — fabricados no interior de São Paulo —, cujas dimensões e especificações técnicas ficam aquém do padrão global.
Setor de Duas Rodas: Cita o exemplo da fábrica da Honda em Manaus, apontada como uma das unidades de motocicletas mais verticalizadas do mundo, realizando etapas complexas de produção e até reciclagem de alumínio no próprio local.
O caso das indústrias de concentrados: Corrige distorções sobre a saída de marcas de refrigerantes, esclarecendo que a Pepsi migrou para o Uruguai (deixando de gerar empregos e tributos locais), enquanto gigantes globais como a Coca-Cola mantêm operações consolidadas no PIM, provando que a escolha por Manaus vai muito além da vantagem tributária pontual.
Geração de emprego e o verdadeiro objetivo dos críticos
Com cerca de 600 indústrias instaladas, o modelo industrial é responsável por 130 mil empregos diretos e mais de 500 mil indiretos, tendo sido o principal vetor para reduzir drasticamente a disparidade de renda per capita entre o Amazonas e os grandes centros do Sudeste ao longo das décadas.
Para Marcelo Ramos, a insistência em desqualificar a ZFM revela um interesse oculto: "O que eles querem não são as indústrias daqui. O que eles querem são os incentivos daqui, ou fechar as indústrias daqui para virarem importadores sem produzir emprego e sem distribuir renda no nosso país", conclui, reafirmando o compromisso de seguir defendendo a produção, a tecnologia e a dignidade do povo amazonense.



Aviso