Mulheres com suspeita de câncer de mama atendidas pelo SUS em Manaus passaram a receber o resultado da biópsia em tempo bem menor que o previsto em lei. A Oferta de Cuidados Integrados (OCI) Oncológica da Mama, mantida pela Prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), entrega os laudos em 15 dias, em média, metade do limite de 30 dias fixado pela Lei nº 13.896/2019.
O serviço funciona na policlínica Castelo Branco, no Parque 10 de Novembro, zona Centro-Sul, e atende pacientes cujas mamografias foram classificadas como Bi-Rads 4 ou 5, categorias que indicam achados suspeitos. O fluxo completo, da coleta do material por punção até a entrega do diagnóstico e o encaminhamento, quando há confirmação de câncer, leva no máximo 30 dias.
Laboratório próprio
A mudança decisiva foi a contratação de um laboratório exclusivo para a OCI. Antes, as amostras eram coletadas pela Semsa e enviadas ao hospital Delphina Aziz, em parceria com o Estado, e a análise levava de 30 a 45 dias úteis, o que ultrapassava 60 dias corridos. “Com um laboratório próprio, podemos dar cumprimento ao prazo legal”, afirmou a diretora da unidade, Francicleia Azevedo.
O mastologista Bruno Monção Paolino lembrou que, segundo estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Norte é a região com os piores prazos de diagnóstico do país. Para ele, os números de Manaus devem mudar esse quadro nas próximas avaliações.
O serviço realiza o exame anatomopatológico, que confirma ou descarta o câncer, e o imunohistoquímico, que identifica o tipo de tumor e é exigido pela Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado (FCecon) para iniciar o tratamento. Segundo o médico, o segundo exame é caro e não é feito em Manaus, o que o torna um gargalo para outros serviços de saúde.
De janeiro a setembro deste ano, a OCI fez 368 biópsias de mama. Em 134 casos o resultado foi positivo, e as pacientes foram encaminhadas à FCecon.
Acompanhamento das pacientes
A equipe é formada por dois mastologistas, duas enfermeiras e duas técnicas de enfermagem. Além de realizar os exames, ela contata as pacientes quando os resultados ficam prontos, marca a consulta de retorno e verifica se elas conseguiram atendimento na FCecon. “Nós ‘navegamos’ essa paciente para que ela não fique perdida no sistema”, explicou Paolino.
A técnica de enfermagem Monalisa Valente, que atua no serviço desde 2024, disse que o vínculo com as usuárias é um dos pontos altos do trabalho. A aposentada Maria das Graças Silva, de 76 anos, que fez a coleta de material de um nódulo, elogiou o atendimento. “O médico me deixou muito em paz, falou comigo durante o exame sobre os próximos procedimentos”, contou. Ela também incentivou outras mulheres a não deixarem de fazer os exames.
Espaço de formação
A unidade também recebe residentes de Medicina por meio da Escola de Saúde Pública da Semsa (Esap Manaus), em parceria com instituições de ensino superior. Paolino é professor e preceptor da residência em Ginecologia e Obstetrícia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A residente Sarah Belmond, que acompanha a equipe há um mês, destacou que o acesso à prática em mastologia é limitado, já que poucos serviços da rede oferecem a subespecialidade.
Origem do serviço
A OCI Oncológica da Mama começou a funcionar em fevereiro deste ano, seguindo orientação do Ministério da Saúde para integrar procedimentos da Atenção Primária e da Atenção Especializada. Ela aprimora o Serviço Municipal de Referência para o Diagnóstico de Câncer de Mama (SDM), criado pela Semsa em fevereiro de 2022.
A detecção precoce do câncer de mama pode elevar em até 95% as chances de cura.
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