Manaus (AM) — O número de pessoas procuradas pela Justiça no Amazonas já supera a população carcerária total do estado. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que há 8.716 mandados de prisão pendentes, enquanto o sistema prisional abriga 8.581 detentos.
Para tentar reverter o cenário, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) aposta em tecnologia, como o reconhecimento facial, e no trabalho da Polinter. Segundo a pasta, as forças de segurança conseguiram cumprir 2.765 mandados de prisão no primeiro semestre de 2026.
Perfil do sistema prisional amazonense
O raio-x dos 8.581 detentos do estado mostra um perfil majoritariamente jovem e masculino:
Gênero: Os homens dominam o sistema, somando 8.275 internos (96,4%). As mulheres são 304.
Faixa etária: Cerca de 70% dos presos têm entre 20 e 40 anos (3.028 de 20 a 30 anos e 2.999 de 30 a 40 anos). O sistema abriga ainda 276 idosos.
Raça/Cor: O registro oficial aponta 3.712 pessoas pardas, 289 brancas e 228 pretas (há subnotificação ou falta de dados em 2.527 casos).
Monitoramento: Fora das trancas, 502 pessoas são monitoradas por tornozeleira eletrônica.
Raio-x jurídico das prisões
4.110 cumprem pena definitiva;
3.399 são presos preventivos (aguardam julgamento);
793 cumprem execução provisória de pena;
279 dividem-se entre flagrantes, prisões civis, temporárias e internações.
O gargalo da superlotação no interior
Enquanto milhares de procurados continuam nas ruas, as estruturas para quem já foi capturado enfrentam crise. Uma inspeção do Ministério Público do Amazonas (MPAM) realizada entre outubro de 2025 e maio de 2026 acendeu o alerta para o interior do estado.
Dos 62 locais vistoriados pelo órgão (entre delegacias e presídios), 67,7% operam com superlotação. Além disso, 61,3% dessas unidades sofrem com a falta de efetivo policial e de agentes para garantir a segurança da custódia. O MPAM informou que usará o diagnóstico para cobrar medidas administrativas dos órgãos competentes.



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