Em meio à fumaça que tem encoberto Manaus nas últimas semanas, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) passou a contribuir com o acompanhamento da qualidade do ar na capital. Uma estação meteorológica equipada com sensores foi instalada no bloco da Faculdade de Tecnologia (FT), entre julho e agosto deste ano, e registra temperatura, umidade relativa do ar, partículas em suspensão e visibilidade.
O equipamento integra uma pesquisa conduzida pela doutoranda Sylvia Jiménez Riofrío, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em parceria com o Núcleo de Arquitetura Moderna na Amazônia (Nama), da Ufam, e o City Infrastructure Equity Lab (Ciel). Sensores foram instalados em quatro edifícios da cidade, e o monitoramento deve durar pelo menos seis meses, período de influência do El Niño, com possibilidade de ser estendido para um ano. Os dados abastecem o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), cujo aplicativo permite que a população acompanhe os índices médios de qualidade do ar.
As medições acompanham a piora do cenário entre agosto e setembro. Nos dias 23 e 24 de setembro, a qualidade do ar em Manaus foi classificada como péssima e, às 6h do dia 23, a concentração de partículas chegou a 324,1 microgramas por metro cúbico, índice que, segundo a universidade, colocou a capital amazonense com a pior qualidade do ar do mundo naquele momento.
Coordenador do Nama, o professor Marcos Cereto atribui a situação às queimadas e à intensificação das mudanças climáticas. Para ele, a participação da universidade no monitoramento é essencial. "A universidade tem um papel fundamental porque é o papel da ciência, que não é uma opinião, é uma investigação", afirmou.
Aviso