Mercosul e União Europeia assinam acordo comercial histórico na capital paraguaia
ASSUNÇÃO, 17 de janeiro (Reuters) - O Mercosul e a União Europeia assinaram neste sábado, em Assunção, um acordo comercial histórico, após mais de 25 anos de negociações, que gerou desconfianças em ambos os blocos, mas é considerado fundamental para mitigar o impacto do protecionismo dos EUA nas economias de seus países.
O evento contou com a presença dos presidentes da Argentina, Paraguai e Uruguai, e da chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, além dos presidentes da Bolívia - em processo de adesão ao Mercosul - e do Panamá, que participou como convidado. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, não compareceu e foi representado por seu ministro das Relações Exteriores.
"Estamos criando a maior área de livre comércio do mundo", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, antes da assinatura. "Este acordo envia uma mensagem muito clara ao mundo. Ele reflete uma escolha clara e deliberada. Preferimos o comércio justo às tarifas".
"Preferimos uma parceria produtiva e de longo prazo ao isolamento. E, acima de tudo, pretendemos oferecer benefícios reais e tangíveis aos nossos cidadãos e às nossas empresas", acrescentou.
O acordo, que reduzirá as tarifas com o objetivo de aumentar o comércio entre as duas regiões, recebeu sinal verde na semana passada da maioria dos países europeus, em meio a críticas de grupos de agricultores e ambientalistas que temem uma enxurrada de importações baratas da América do Sul e mais desmatamento.
Embora as autoridades das nações do Mercosul tenham dito que não estão totalmente satisfeitas com as regulamentações do pacto, elas concordaram que ele se traduzirá em benefícios reais para seus cidadãos e empresas.
"Perdemos muito tempo para chegar até aqui e poderíamos ter chegado a um acordo ainda mais proveitoso, poderíamos ter feito mais", disse o anfitrião da reunião, Santiago Peña, presidente do Paraguai, que destacou a liderança de Lula e Von der Leyen no fechamento do pacto.
O presidente argentino, Javier Milei, disse que o acordo foi a maior conquista obtida pelo Mercosul desde sua criação, pois permitirá uma inserção internacional mais "aberta, previsível e dinâmica", embora tenha ressaltado que é fundamental que na etapa de implementação seja preservado "o espírito do que foi negociado".
O comércio entre os dois blocos, que abrange um mercado de 700 milhões de pessoas, alcançou um valor de 111 bilhões de euros em 2024. Enquanto as exportações da UE são dominadas por máquinas, produtos químicos e equipamentos de transporte, as exportações do Mercosul se concentram em produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.
O acordo, que tem sido altamente polêmico na Europa, deve agora obter a aprovação do Parlamento Europeu. Ele também deve ser ratificado pelos congressos dos países membros do Mercosul, no que se espera que seja um processo mais tranquilo.
(Tradução Redação Brasília, 55 11 5047-2695REUTERS BC)
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