Escrita pelo belga Jean Pierre Dopagne, a peça conta a história dessa mulher - que não sabemos ao certo quem é nem o que fez - que foi condenada pela justiça. Além da prisão, contudo, ela foi submetida a mais uma penalidade: subir todas as noites ao palco de um teatro e, diante da plateia, relatar o seu crime.
Dedicada ao ensino da literatura, a ex-professora se deparava com alunos desinteressados. Em seu anos de carreira, ela observa que eles se tornaram mais agressivos e sabem cada vez menos. Só que não soube se adaptar aos novos tempos: época de comunicação mediada por ferramentas tecnológicas, de embrutecimento, dissolução de antigos valores e quebra de hierarquias. "Ela é uma idealista. Queria ser uma professora como uma das que teve quando era criança e queria que os alunos se comportassem como ela se comportava naquela época", acredita Jandira.
Existe um nítido descompasso entre o sistema educacional e o mundo contemporâneo. Mas, diante das mudanças com as quais não pactua, essa educadora não consente em resignar-se. Resiste àquilo que o presente lhe impõe como verdade inescapável. Abre mão do lugar de vítima para tornar-se uma agente da tragédia.
Jandira é reconhecida por sua desenvoltura em papéis cômicos. Mas, nessa criação, vê-se diante de um humor de outra natureza. Muito diferente inclusive, das suas criações como dramaturga. "Não tem estrutura de texto cômico, mas momentos de graça, esse riso que é provocado por algo cruel. É um tipo de humor raro no Brasil, o texto é muito ferino", comenta a intérprete.
Esse é o primeiro monólogo da carreira da atriz. "Era o texto perfeito para isso. Por que o discurso dela não é um solilóquio. O tempo inteiro está falando com a plateia, jogando com quem a assiste." Na montagem, ela também não dá voz apenas à professora. Assume vários personagens que a rodearam ao longo da vida: uma série de alunos, as mestras que a ensinaram no colégio, o próprio pai.
Quem conduz a encenação é Celso Nunes, diretor com o qual a atriz mantém uma longeva parceria. O primeiro trabalho juntos data de 1966, uma montagem de "A Falecida", de Nelson Rodrigues. O último encontro havia acontecido em 1992, quando fizeram "A Vida É Uma Ópera". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
PROF! PROFA!
Teatro do Sesc Ipiranga (Rua Bom Pastor, 822, tel. 3340-2000). Sáb., às 21 h; dom., às 18 h. R$ 15/R$ 30. Até 29/9.

