Charles Aznavour, o último dos grandes nomes da canção francesa do século XX, morreu na madrugada desta segunda-feira, aos 94 anos, em sua casa em Apilles, no sul da França. O cantor francês mais conhecido no exterior estava voltando de uma turnê no Japão — ele havia sido forçado a cancelar shows por ter quebrado um braço após uma queda.
Aznavour, que nasceu Shahnour Varinag Aznavourian em Paris (seus pais eram armênios), vendeu mais de 100 milhões de discos ao longo de oito décadas de carreira. Apelidado de Frank Sinatra de França, ele alcançou fama mundial com canções como "La bohème", "La mamma" e "Emmenez-moi". Ele também compôs para artistas como Edith Piaf, Maurice Chevalier e Charles Trenet. Como ator, participou de cerca de 80 filmes. É muito lembrado como o intérprete de "She", a canção tema do filme "Um lugar chamado Nottingh Hill", estrelado por Julia Roberts.
O compositor descobriu seu talento para escrever canções enquanto tocava em cabarés com o parceiro Pierre Roche. Foi depois da Segunda Guerra Mundial que Piaf tomou conhecimento da dupla e os levou com ela em uma turnê pelos Estados Unidos e Canadá, com Aznavour compondo alguns de seus sucessos mais populares. O jovem Aznavour cresceu na margem esquerda de Paris. Seu pai era um cantor que também trabalhou como cozinheiro e gerente de restaurante, e sua mãe era atriz.
Na década de 1950, um médico sugeriu que ele abandonasse a carreira depois de um problema nas cordas vocais.
— Ele me disse: "O senhor não pode cantar, vá fazer outra coisa" — lembrou Aznavour em entrevista ao GLOBO em 2008. — Então fui ver um professor de canto italiano, um tenor. Ele fez um desenho mostrando o caminho da voz e como utilizá-la, e me disse: "Se você entendeu, não precisa mais de mim". Continuei.
Aznavour se via como "um operário" da canção:
— Não sou um intelectual. Sou um artesão e vou permanecer assim por toda a vida. Não me tornei nobre porque sou conhecido, nem me tornei intelectual por conta do sucesso. Eu me tornei o que deveria me tornar. Os artistas que deixam o sucesso subir à cabeça me dão pena. Porque um dia, isso cai. E a queda é ainda pior.

