Doris Lessing "se foi" na madrugada de ontem, 17, aos 94. Segundo seus editores, morreu em casa, tranquila. Ao longo da carreira, escreveu mais de 50 livros - contos, memórias, romances e volumes de ficção científica. Em todos, elegeu como temas a crítica ao poder, o preconceito racial, os direitos das mulheres e uma investigação da psique humana. Ao justificar sua escolha, a Academia Sueca disse que sua escrita foi marcada "pelo ceticismo e poder visionário", além do modo contundente como lidava com as questões que abordava.
Contundência que, ao longo da vida, também lhe renderia polêmicas, seja nas críticas ao preconceito racial na África, nos anos 1950 e 1960, seja em comentários a episódios recentes, como os ataques de 11 de setembro, que ela classificou como "não tão terríveis".
A escritora nasceu na Pérsia, hoje Irã, mas foi criada na Rodésia do Sul, hoje Zimbábue. Após uma infância povoada pela leitura de autores como Charles Dickens e Rudyard Kipling, casou-se com 19 anos. Mas, pouco depois, deixaria o primeiro marido e iniciaria um romance com Gottfried Lessing, que conheceu no âmbito do Left Book Club, grupo de comunistas e socialistas ligados à literatura. Ao completar 30 anos, no entanto, e perceber-se desiludida com o movimento comunista, mudou-se para a Inglaterra com o filho mais velho. E foi já em Londres que iniciou sua carreira literária.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

