Morando nos EUA, Wagner Moura critica política anti-imigração e relata temor
Morando nos Estados Unidos desde 2017, o ator Wagner Moura afirmou ter medo de agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE), órgão responsável pela fiscalização de imigração no país. Em entrevista ao jornal El País, o artista voltou a criticar a política anti-imigração associada ao ex-presidente Donald Trump e disse que o atual cenário é preocupante.
“Estamos atravessando um momento muito feio. Até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, declarou o ator.
Durante a entrevista, Moura comparou o momento político dos Estados Unidos ao que o Brasil viveu nos últimos anos. “Vivemos tempos muito tristes. É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades”, afirmou. Segundo ele, a extrema direita brasileira foi “muito eficaz em transformar os artistas em inimigos do povo”.
O ator também comentou o papel das redes sociais nesse processo. “Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão e democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo”, disse. Moura divulgava o filme “O Agente Secreto”, que recebeu quatro indicações ao Oscar.
ASSUNTOS: Famosos & TV