São Paulo - Jorge Ben Jor, de branco dos pés ao boné na cabeça, senta-se na cadeira de um camarim improvisado na pousada onde está hospedado em Paraty, cidade histórica do sul fluminense. Cansado e ainda suando muito, tira os tradicionais óculos escuros e exibe as feições cansadas de quem teve um dia de trabalho daqueles. Olheiras de quem vê a noite virar dia nos palcos brasileiros desde 1963.
Foram mais de duas horas debaixo de um sol digno do Saara, para a gravação de CD e DVD do projeto especial "Luau MTV Jorge Ben Jor". Oficialmente, o termômetro marcava 35º, mas a sensação térmica ali na Praia do Pontal, era de bem mais do que isso. Próximo de completar 70 anos, em 22 de março, apesar de ele negar zombeteiramente ao dizer ter nascido em 1945, não em 1942, o músico está em plena forma. Com ele, a festa é animada, tem síndico, alquimistas, reis astronautas, e toda a sua psicodelia tropical.
Ben Jor é mestre do "ao vivo", mas mantém-se na zona de conforto. Ao lançar mais um disco ao vivo, afasta-se ainda mais dos álbuns de músicas novas. Seu último disco com material inédito é "Recuerdos de Asunción 443", de 2007. Mas tratava-se de reunião de fonogramas achados nos arquivos pela gravadora Som Livre, sobras de gravações suas dos anos 80, com apenas uma música inédita, "Emo". Disco completo, mesmo, é o de 2004: "Reactivus Amor Est" (Turba Philosophoru). "Tenho material inédito, só estou esperando uma data para gravar", responde. O "Luau" de Ben Jor difere do programa especial da grade de verão da emissora. É um projeto musical, como o "Acústico", e será lançado no fim de abril.
A tenda montada para a apresentação tinha lotação máxima para 100 pessoas. Em cena um Ben Jor intimista, acompanhado pela banda do Zé Pretinho. As ruelas históricas, o mar turquesa, o céu azul, uma igrejinha branca de fundo, formavam o cenário onde o carioca se apresentava.
\A MTV me chamou para fazer algo com esse formato de praia. Eu concordei

