
Uma das favoritas dos telespectadores de Big Brother Brasil 2018, Gleici Damasceno leva uma vida bem diferente do luxo do reality show, no Acre. O jornal Extra deste domingo (25) contou mais sobre a história de vida da acreana.
Criada na zona Rural, Gleici passou fome e hoje vive em uma casa própria graças ao esforço da mãe que trabalhou por anos como empregada doméstica. O imóvel é de madeira e alvenaria e localizado na periferia da Baixada da Sobral, em uma das áreas mais violentas de Rio Branco.
Com cerquinha de madeira, a casa possui 1 quarto, 1 cozinha e 1 sala, divididos entre a mãe Vanuzia, o irmão mais velho e a sobrinha de 3 anos. Gleici dorme na sala. Não há internet e nem TV a cabo, e a família assiste o programa em um ponto de TV paga cedido por vizinhos.
Até a adolescência, Gleici viveu na extrema pobreza, com a mãe sustentando três filhos sozinhos e ainda pagando aluguel . "Com um salário mínimo não dá para pagar tudo. Algumas vezes, eu os mandava tomar café na casa de um parente ou outro e, às vezes, não tinha o que fazer, eu fechava os olhos e deixava ir para escola sem tomar café mesmo”, se emociona Vanuzia.
Para conseguir comprar a casa, Vanuzia utilizou o dinheiro de uma rescisão contratual como empregada doméstica e conseguiu um empréstimo, e foi quando a família melhorou um pouco de vida.
Há três anos, o pai da jovem foi assassinado dentro de casa e na frente da sua irmã mais nova, por traficantes de droga que dominam a região. Dependente químico, o pai de Gleici se separou da sua mãe quando ela tinha apenas 6 anos.


Na mesma época, a mãe, de 39 anos, que trabalhava no gabinete de uma vereadora ganhando R$ 2 mil, e ainda fazia turno à noite como zeladora em um hospital para completar a renda, mas descobriu que tinha câncer no útero e precisou abandonar os empregos.
Com isso, Gleici precisou assumir as despesas da família , com um cargo comissionado na Assessoria da Juventude, no Governo do Estado. Com R$ 2.700, ela sustentava a família, comprava os remédios da mãe, pagava contas de água e luz e despesas dos irmãos, além dos alimentos comprados em 'fiado' no mercadinho da frente, e outros ítens básicos. Com o salário, ela ainda pagava metade da faculdade de Psicologia na Uninorte, que em 50% é financiada pelo Fies.
Para ir para o BBB, Gleici saiu do emprego e o dinheiro da exoneração está sendo usado para manter a mãe, que conta também com ajuda de vizinhos.
Começou a trabalhar aos 12 anos

Gleici não ficou parada ao ver a mãe se esforçando sozinha: Aos 12 anos, ela decidiu trabalhar como babá e passou a ajudar nas despesa s. Muito estudiosa, ela ganhou de um amigo um vestido para a formatura no Ensino Médio. "Ela disse que não tinha condições de ir ao evento porque não tinha um vestido, e eu ofereci o meu, de Miss Acre Gay", conta o líder comunitário João Reis.
Outro forte de Gleici é a solidariedade: "Mesmo sendo pobre, ela sempre lutou por outras pessoas mais carentes que ela. De um lado, eram nossas mães fazendo de tudo para nos dar de comer, e nós fazendo de tudo para dar de comer aos outros", diz o melhor amigo dela. Segundo ele, o trabalho comunitário evoluiu e Gleici quis criar uma associação e lutou por uma biblioteca comunitária. "O que motivava a Gleici era a história de vida do pai dela, que ela nem gosta muito de falar, mas levava ela a não aceitar aquilo que parecia ser seu destino ", diz o amigo.
Mesmo com a história dura, o papel de 'coitadinha' não é aceito pela família. "Gleici não gosta de ser coitadinha, de ser vitimizada. Ela lutou contra isso a vida toda e sempre disse que seria alguém na vida. A história dela é diferente porque ela nunca se acomodou, nunca se conformou. Minha filha não é a única daqui a passar por essas dificuldades, nem é melhor por causa disso. Em cada esquina aqui a gente encontra uma Gleici, mas poucas com a coragem e a determinação dela ", diz a mãe.
Com informações do jornal Extra.

