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Gaby Amarantos vai estrear no cinema no papel de uma serial killer

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Gaby Amarantos vai estrear no cinema no papel de uma serial killer
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RIO — Cinco anos após lançar seu primeiro disco, encarar milhares de pessoas em shows pelo Brasil seria tarefa simples demais para Gaby Amarantos. A cantora paraense resolveu, então, buscar algo diferente: há uma semana, numa noite chuvosa, ela estava num casebre de um bairro pobre de Maceió, travando um diálogo tenso, com palavras quase inaudíveis, sobre seu desejo de fugir da cidade. A conversa foi interrompida por um grito de “corta!”, a deixa para a saída de cena de Kellyane, personagem que marca sua estreia como protagonista no cinema. Gaby, que em março irá substituir Taís Araújo no programa “Saia justa”, do GNT, como revelou a coluna de Patrícia Kogut no GLOBO, será a estrela de “Serial Kelly”. No filme, ela vive uma cantora de forró que se revela uma assassina justiceira durante uma turnê por Alagoas. A direção é do alagoano Renê Guerra, dos curtas “Os sapatos de Aristeu” (2008) e “Quem tem medo de Cris Negrão” (2012), e a produção é de Vânia Catani, de “O filme da minha vida”, dirigido por Selton Mello. Ainda em filmagem, “Serial Kelly” é descrito pelo diretor como uma “comédia subversiva”.

A subversão começa com a ideia de colocar Gaby na pele da protagonista, uma sugestão de Vânia. O diretor então se deu conta de que havia criado uma personagem muito semelhante à cantora paraense.

— Era arriscado, mas, considerando que Renê é também preparador de elenco, eu sabia que ele tinha experiência pra lidar com isso. E a Gaby tem uma persona própria. Quem já foi a seus shows viu que ela atua naquele universo — diz a produtora.

A cantora de tecnobrega está colocando a aposta à prova em 50 dias de filmagens. No set montado no bairro de Fernão Velho, o GLOBO acompanhou a gravação de uma cena intimista, entre Gaby e Ane Oliva. Para capturar os murmúrios, a equipe de mais de 70 pessoas, entre atores, figurantes, técnicos, motoristas e produtores, além de policiais e agentes de trânsito, silenciava a ponto de se ouvir as respirações.

Isso sem falar na plateia informal, os moradores da região, que se juntaram nas portas das casas, à beira de uma linha férrea desativada, para presenciar um fato histórico: segundo a equipe, a capital alagoana não recebia filmagens deste porte há décadas. Tão disciplinados quanto os profissionais, os espectadores mantiveram silêncio, mesmo com a final da Copa do Brasil entre Cruzeiro e Flamengo acontecendo — o empate sem gols ajudou.

A maior fonte de ruído foi a chuva insistente. Mas, também cooperando, as precipitações mais fortes ocorreram somente durante o jantar e as pausas para trocas de cenário. As gravações, que naquele dia começaram por volta das 18h, ocorreram quase sem interrupções até o sol nascer, quando não seria mais possível registrar as cenas noturnas. Mesmo quem passou pela região logo cedo pela manhã de quinta-feira não viu qualquer rastro da dezena de caminhões, tendas e geradores que pernoitaram ali.

Para Gaby, a aventura é também a realização de um sonho de infância. Ela lembra de suas experiências com teatro na adolescência e diz que não imaginava que ainda teria a chance de ser atriz, depois que a música “a sequestrou”.

— Quando vi a Janelle Monáe em “Estrelas além do tempo”, pensei: “Meu Deus, tomara que essa moda venha para o Brasil”. Só agora estamos começando a entender que as pessoas podem fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo — conta a cantora, que já teve pontas em filmes e atuou em programas de TV representando ela mesma . — Minimizar e acessar esses lugares de emoção é muito difícil. O mais complicado é não confundir. Estou sentindo tudo o que a Kelly sente. As paixões, as dores, a compulsão por comer, o desejo sexual.

Gaby engordou dez quilos para o papel.

— Ninguém me pediu. Eu fiz porque entendi que essa mulher tem um corpo político — ela argumenta.

E gastou cinco semanas se preparando para filmar. Sua visão sobre a personagem, com seus conflitos internos e motivações, coincide com a de Renê. Trata-se de uma mulher vingadora, “amoral e libertária”, como diz o diretor, no território de matadores, “porque Alagoas, historicamente, tem essa fama”. Mas a personagem principal é colocada, ao mesmo tempo, em posições de vulnerabilidade e empoderamento.

— Em terra de matador, mulher que mata é serial killer. Kelly encontra vários personagens em sua trajetória, como um grupo de travestis que são fadas-madrinhas. É muito importante falar que, em 2012, Alagoas foi uma das capitais que mais mataram transexuais no Brasil, e essa é uma camada que o filme traz também, de uma violência que vem de uma ancestralidade — diz Renê, que geralmente aborda a temática LGBT em suas obras.

Gaby se envolveu tanto com o projeto que gravou músicas inéditas exclusivamente para a trilha sonora do filme.

— O papel da Kelly me faz ter mais coragem, inclusive, pra ser a própria Gaby. Depois do sucesso, comecei a pensar que talvez estivesse muito colorida, muito exagerada. Talvez tivesse que encaixar meu corpo nos padrões, mas foi a Kelly que me salvou — desabafa a cantora.

* Giovanni Sanfilippo viajou a convite da produção do filme

 

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