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Florian Schneider, um dos fundadores do grupo Kraftwerk, morre aos 73 anos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos fundadores da banda Kraftwerk, o músico alemão Florian Schneider morreu aos 73 anos. Segundo um comunicado enviado pela banda à revista Rolling Stone, ele foi sofreu complicações de um câncer dias depois do seu último aniversário, comemorado em 7 de abril. O Kraftwerk surgiu em 1970, em Düsseldorf, na Alemanha, criado por Schneider e Ralf Hütter. A parceria, mantida por quase 40 anos apesar das diferentes formações da banda, é apontada por críticos como responsável por uma verdadeira revolução musical, que levou gêneros como o pop, o rock e o hip-hop a adotar sintetizadores e beats eletrônicos. A banda ganhou notoriedade a partir de 1974, com o lançamento do álbum "Autobahn". A faixa-título começa com uma voz robótica que repete "autobahn" --rodovia, em português-- e reproduz sons hipnóticos de sintetizador por 22 minutos inteiros. O conceito é polido nos álbuns seguintes, "Trans-Europe Express", de 1977, e "The Man-Machine", de 1978. Neles, Schneider e Hütter --então acompanhados de músicos como Karl Bartos e Wolfgang Flür-- criam um pop eletrônico provocativo e cativante, com frequência brincando com a ideia de uma sociedade cada vez mais mecanizada. Essa ideia, aliás, vai muito além das melodias. Nos shows do grupo, seus integrantes contrariavam os jeans rasgados do rock dos anos 1970 ao se vestirem feito bancários. Também não tocavam bem instrumentos, e sim combinavam diferentes samples. Às vezes, simplesmente abandonavam o palco e deixavam manequins em seus lugares. "O Kraftwerk não é uma banda," disse Schneider numa entrevista à Rolling Stone, em 1975. "Chamamos o projeto de 'Die Menschmaschine', que significa máquina humana. Não somos uma banda. Eu sou eu. Ralf [Hütter] é Ralf. E o Kraftwerk é um veículo para as nossas ideias." De fato, os dois fundadores tinham papéis bem distintos na dinâmica do grupo, afirmou Hütter numa entrevista à revista britânica Mojo, em 2005. Enquanto ele era o vocalista --e o porta-voz-- do conjunto, Schneider, que veio da flauta e se rendeu ao teclado e aos sintetizadores, é creditado como o autor da sonoridade do Kraftwerk. "Florian é um fetichista do som", afirmou Hütter. Os dois fundadores do Kraftwerk trabalharam juntos pela última vez em 2003, na gravação do álbum "Tour de France Soundtracks". Cinco anos depois, em 2008, Schneider deixou o grupo. Então, a influência do Kraftwerk já era clara, consolidada com o recebimento de um Grammy pelo conjunto da obra em 2014. Nos anos 1970, porém, eles penaram para encantar plateias do Reino Unido e dos Estados Unidos. David Bowie foi um dos primeiros a reconhecer o potencial do grupo, ao homenagear Schneider com uma canção do álbum "Heroes", de 1977, "V-2 Schneider". A admiração entre o britânico e a banda alemã era mútua, aliás, e o Kraftwerk lembra Bowie na faixa-título de "Trans-Europe Express", daquele mesmo ano. Ainda assim, os alemães se recusaram a colaborar com Bowie. O mesmo aconteceu com Michael Jackson, que tentou, sem sucesso, convencer o grupo a produzir "Thriller". Décadas mais tarde, o Coldplay usou uma parte de "Computer Love" no hit "Talk", e Jay-Z e Dr Dre pegaram emprestados trechos de "Trans-Europe Express" para compor "Under Pressure". "Uma influência tão importante na música como a conhecemos", disse o músico britânico Gary Kemp, do Spandau Ballet, sobre a morte de Schneider, numa rede social O tecladista do Duran Duran, Nick Rhodes, também britânico, lembrou a primeira vez que ouviu "Autobahn" no seu blog, "radicalmente diferente de tudo o que tocava no rádio".

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