Ex-Bake Off Brasil é estuprado e tem R$ 72 mil roubados em encontro por app

Por Portal do Holanda

25/10/2020 11h57 — em Famosos & TV

Foto: Reprodução/Instagram

Murilo Marques, que participou do reality culinário "Bake Off Brasil", usou o Twitter para revelar um estupro e um golpe sofrido por ele após marcar um encontro por um aplicativo de relacionamentos.
O rapaz começou contando que foi vítima do crime dentro da sua própria casa. Além de ser dopado, agredido e sexualmente violentado, ele sofreu um prejuízo de mais de R$ 72 mil (sendo quase R$ 40 mil roubados de sua conta, mais R$ 33 mil de empréstimo feito em seu nome).

Murilo explicou que está compartilhando sobre o golpe para tentar reaver o dinheiro que lhe foi roubado com os bancos. Confira o relato:  

"Eu entrei para a estatística! Essa semana eu caí num golpe: fui dopado, violado e roubado na minha casa. Fui dopado, violado e roubado na minha casa. No dia 21/10/2020 eu recebi um homem de aplicativo de relacionamento na minha casa, ele chegou às 12:04, me mandou fotos antes e chamei", começou.  "Ele chegou, me cumprimentou e o ato começou a rolar. Rapidinho ele parou, se vestiu e anunciou que era GP (Garoto de Programa), que precisava receber o pagamento e que eu deveria dar o dinheiro".

"Eu sem entender nada, e começando a me sentir meio estranho, disse que não tinha dinheiro e nem tinha contratado ninguém, se soubesse não tinha nem chamado. Nisso ele sacou uma máquina de cartão dessas da Pagseguro e falou que aceitava cartão. Ele começou a se exaltar dizendo que queria receber o dinheiro dele, esse diálogo rolou e eu cada vez com mais dificuldade de organizar minhas ideias, já imaginando que estava drogado. Cada vez mais agressivo e gritando comigo ele me forçou a passar a senha na máquina de todos os meus cartões, eu tentei recusar e nessa hora ele desferiu um soco na minha cara. Nem senti na hora, mas depois vi que ficou roxo".

"Em uma das tentativas [de colocar a senha do cartão] eu errei a senha e disse que precisava olhar no celular, ele gritava que não era pra mexer no celular e pegou o aparelho, mais uma vez fui forçado a passar uma senha, dessa vez a do celular. Apesar de tonto e desnorteado eu estava de pé ainda. A essa altura eu já sabia que havia sido dopado e já havia apanhado, estava reunindo toda minha energia para tentar me proteger. Pedi pra gente descer a um caixa eletrônico para sacar dinheiro e ele ir embora, fui até minha cômoda para pegar uma camiseta e ele voltou a ser bem agressivo, me agarrou pelo braço, jogou um pó branco em cima dessa mesma cômoda, disse que era cocaína e me mandou cheirar. Eu só conseguia responder que não queria, mas ele insistia e ameaçou quebrar meu braço se eu não aceitasse. Eu resisti e, talvez pelo meu estado,  ele não seria capaz de me forçar a cheirar.".

Em seguida, Murilo foi estuprado e dopado com mais intensidade: "Fui jogado na cama de bruços, nesse momento o estupro aconteceu: Eu só lembro dele me estuprando com a mão enquanto eu me debatia. Não sei quanto tempo durou, não sei o quanto eu resisti, mas fui estuprado. Eu acho que ele me estuprou para me dopar mais, porque depois disso eu perdi quase toda minha consciência, entrei numa paranóia onde não sabia o que era realidade o que era pesadelo. Eu não conseguia andar, entrei em desespero pensando nos cartões, nas senhas. Não sei quanto tempo durou essa paranoia, consegui ir até o banheiro e vomitei muito, eu estava preocupado dele estar lá ainda mas não tinha capacidade mental de saber isso, não sei descrever o medo que eu estava sentindo, eu parecia estar descolado da realidade e sem domínio do meu corpo, dos meus sentidos. Reuni força não sei de onde e fui cambaleando até a porta, que era a única forma pra eu saber se ele ainda estava lá, já q eu simplesmente não conseguia olhar pro meu apartamento e fazer esse julgamento, eu estava muito dopado mesmo".

"A porta estava aberta, destrancada, ele tinha ido. Meu computador estava logado no WhatsApp, isso que me salvou porque consegui mandar algumas mensagens bem desconexas para meu vizinho, mandei um áudio pedindo ajuda tb e consegui mandar mensagem para meu namorado também. O agressor levou meu celular e eu consegui fazer isso antes do aparelho perder o sinal, ele devia estar no corredor ainda e meu celular ainda estava no Wi-Fi. Os meninos correram para me acolher e me ajudaram a bloquear os cartões, mas eu ainda estava incapaz de entender o tamanho do estrago. Notei compras no débito na caixa, Itaú e Nubank. Eu chorava muito, me senti sujo, culpado, me senti um lixo mas sabia que a saga não tinha terminado, precisava ir à delegacia fazer BO.".

Lá, Murilo conta que não teve um tratamento adequado para quem foi vítima de violência sexual: "A delegacia é um ambiente nada acolhedor, eles me ouviram mas minha privacidade foi violada, tive que contar a história diante de vítimas de outros crimes, você está fragilizado, traumatizado, sujo e durante seu depoimento ouve piadinhas paralelas, é deprimente. Fui encaminhado para o IML para fazer exame sexológico, toxicológico e busca de DNA, já era 20:30 quando cheguei lá com o Renan, esperamos e a médica me chamou, me sentou na cadeira dela e disse que seu jantar tinha acabado de chegar, que era pra eu voltar para recepção e esperar mais um pouco... Depois desse “acolhimento” tão cheio de empatia voltei pra recepção morto por dentro. Fiz os exames, tirei a roupa, ela examinou meus órgãos sexuais, mais um pouco de humilhação, mas ok né, não é como se eu tivesse uma opção. Fui liberado e fui para casa do meu namorado".

Prejuízos - Em seguida, Murilo conta que no dia seguinte, foi à Caixa Econômica e nos demais bancos resolver o problema. "dentre muito constrangimento e pouca empatia [na Caixa] contabilizei o prejuízo: 8 mil passados no débito, abri procedimento de contestação, 10 dias úteis para avaliação. Fui na Claro retomar meu número e depois fui. Já em sua conta do Bradesco, ele conta que o prejuízo foi maior: 15 mil em transferências bancárias e 33 mil em empréstimo pessoal. No NuBank, ele teve 15 mil de prejuízo. E no Itaú, ele teve retirados 1,3 mil da conta.

Dinheiro era para pagar o apartamento - "Quem me conhece sabe que esse ano o Renan e eu compramos um ap, todo esse dinheiro roubado era pra pagar nossa casa. Economias de uma vida toda pro nosso lar foram roubadas por alguém qu enão só levou meu dinheiro, mas também me violentou levando minha dignidade. Os investigadores e a própria técnica da Caixa me disseram que é praticamente impossível o banco desfazer as transações. Aparentemente para os bancos pouco importa se você foi dopado e estuprado pouco importa as transações suspeitas em sequência e os valores altos, ou se sua integridade física foi ameaçada, se você entregar sua senha, problema seu. Não reaja em assaltos, mas se for pra pegar sua senha reaja sim, você está sozinho! Eu quero muito estar errado sobre isso.".

No momento estou negativo em todas as minhas contas, sem dinheiro nenhum para honrar os compromissos com os prestadores de serviço que estão reformando nossa casa e absolutamente traumatizado. Estou recebendo apoio psicológico da empresa que trabalho. meu namorado é a melhor pessoa do mundo e está do meu lado me guiando, ajudando, apoiando, tenho também minha família pra me dar apoio, tenho todas as ferramentas para superar isso.   Mas no momento eu estou apavorado, o mesmo banco que me disse que não era para eu ter esperanças do estorno está prontíssimo para tirar minha casa se eu não pagar prestação do financiamento, tenho dívidas com lojas de construção, com marmoraria, com marceneiro, nós estávamos montando nosso lar!

Motivo de compartilhar o relato - Eu decidi contar essa história porque eu preciso ser capaz de compartilhar isso sem medo, sem vergonha, apesar de me sentir humilhado e culpado eu SEI que sou uma vítima, eu TENHO que superar. Me ajudem a espalhar esse relato, façam chegar aos bancos, eu não estou pedindo para ganhar dinheiro, eu só preciso que eles devolvam o que é meu e que foi tirado de mim durante um crime.".