A ideia é exatamente o que diz o título. Seinfeld, cada dia em um carro diferente, passa na casa de um comediante e o leva para tomar um café. Cada episódio dura cerca de 15 minutos e, na primeira temporada, ele conversou com nomes como Mel Brooks, Ricky Gervais, Larry David, Alec Baldwin e Michael Richards. Na nova temporada, ele aparece em conversas com Chris Rock, David Letterman, Don Rickles, Sarah Silverman, Seth Meyers e Gad Elmaleh.
Após o fim de "Seinfeld", os atores da série patinaram sem rumo. Jason Alexander (George) fez papéis secundários no cinema, em comédias de pouco sucesso; Michael Richards, o Kramer, voltou para os shows de stand-up, até que um comentário racista durante uma apresentação foi parar no YouTube e o levou à reclusão (ele fala do episódio pela primeira vez justamente na primeira temporada de "Comediantes em Carros..."); Julia Louis-Dreyfus (Elaine) foi a única que voltou a ter sucesso na TV, primeiro como dona de casa em "The New Adventures of Old Christine" e agora no papel da atrapalhada vice-presidente americana na comédia "Veep", em seu segundo ano.
Enquanto isso, Seinfeld lançou um documentário, "Comedian", no qual viajava pelos Estados Unidos e entrevistava comediantes de stand-up - e que tinha como pano de fundo e tema recorrente a viagem a uma cidadezinha do interior onde o veterano Bill Cosby faria uma rara apresentação.
Em certo sentido, "Comediantes em Carros Tomando Café" segue a mesma proposta do documentário - conversar com comediantes para entender um pouco do ofício. Cada episódio tem a cara do convidado - e isso se deve não apenas ao fato de que são todos grandes comediantes como também à recusa de Seinfeld de se impor perante eles. O clima informal leva em alguns momentos a revelações, mas, claro, sempre há algo de performance nas entrevistas - ainda assim, nestes casos, o papel de Seinfeld é, quanto muito, o de um escada para seus convidados.
Nesta segunda temporada, os destaques são as conversas com David Letterman e Chris Rock. Com o apresentador do Late Show, a conversa começa em uma Perua Volvo adulterada vendida a ele pelo ator Paul Newman - e que quase pegou fogo alguns anos atrás. No final, os dois entram em uma loja de conveniência e assustam alguns clientes.
Já na entrevista com Chris Rock, o tom ácido do comediante se impõe. São comentários sobre família, fama. E, claro, preconceito racial, um dos grandes temas de seus shows de stand-up. No caminho de volta, os dois são parados pela polícia. E Rock, claro, não perdoa. "Se você não estivesse ao meu lado neste carro, este episódio seria bem diferente."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

