"Eu sou virginiano, detalhista. Experimento muito antes de achar que cheguei no ponto certo", conta, após relatar um caso recente em que ficou de fazer uma composição para Nelson Ayres e tanto cutucou que começou a duvidar da música. "Cheguei a ameaçar deletá-la. Apontei o dedo, mas alguma coisa me segurou. Dei 20 dias e, quando fui ouvir de novo, pensei: ‘como é que eu tô com vergonha de mandar isso? Ela tá bonita!’", diz.
Eis um retrato do vagaroso processo com que Edu destila suas melodias, uma forma de compor que não dá pontos sem nó e ecoa na precisão do produto final. Basta ouvir algo como Valsa Brasileira para compreender que seus lampejos de gênio nada devem a um Lieder de Schubert, ou uma Valse Triste, de Sibelius. De acordo com o próprio, o enfoque meticuloso começou a ser parte de seu processo à medida que amadureceu. "Acho que isso foi piorando com o tempo. Quando você é jovem, faz coisas de que mais tarde se lembra, e pensa ‘como’?", diz, em tom de brincadeira e autodepreciação. A maturidade chegou na segunda parte dos 30 anos, no final dos anos 70, início dos anos 80, época em que começaram a surgir as canções mais substanciais, muitas delas feitas para o teatro em parceria com Chico Buarque, sob influência indireta de Tom Jobim.
EDU LOBO - Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Alvares Cabral, s/nº, 3629-1075. Dia 13/9, 21 h. R$ 20 -hoje, 27, começam as vendas dos ingressos, que podem ser adquiridos na bilheteria, pela internet www.ingresso.com, ou por telefone 4003-2330.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

