Quando Wilder morreu - de pneumonia, em 2002, aos 95 anos -, não dirigia havia mais de uma década. Buddy, Buddy/Amigos, Amigos, Negócios à Parte é de 1981. Não foi um fecho de ouro para uma carreira tão brilhante, mas o grande diretor passou seus últimos anos recebendo honrarias e homenagens - e também trabalhando, com espartana dedicação a projetos que nunca mais se concretizaram. Seu nome virou sinônimo de humor crítico, corrosivo. Wilder como diretor de comédias era uma consequência de seu começo como roteirista de Ernst Lubitsch. Mas Wilder fez um atalho e, antes de se estabelecer como rei do humor, exercitou-se no cinema noir.
Todo Wilder estará agora de volta na grande retrospectiva que o Cinesesc dedica ao grande artista e que começa amanhã (20). Todo Wilder! Para cada uma de suas fases, teve um colaborador - Charles Brackett para os filmes noir; I.A.L. Diamond para as comédias.
Wilder nasceu em Viena, filho de um hoteleiro, em 1906. Foi jornalista e roteirista de Robert Siodmak. Conta a lenda que teria tentado entrevistar o próprio Sigmund Freud. O advento do nazismo levou-o a fugir e, antes dos EUA, ele passou pela França, onde fez o primeiro longa, La Mauivaise Graine, com Danielle Darrieux, em 1933. Nos EUA, estreou com A Incrível Suzana, nove anos mais tarde. O filme conta a história de um homem que se envolve com uma garota disfarçada de menino, num trem. O jovem Wilder já abordava temas um tanto escabrosos, como pedofilia e homossexualismo, mas Ginger Rogers, que fazia a travesti, já era mulher, e isso saltava aos olhos.
MOSTRA BILLY WILDER - Cinesesc. Rua Augusta, 2.075, 3087-0500. Grátis. Até 4/7. Abertura amanhã (20) 20h30, com Crepúsculo dos Deuses.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

