Morreu neste sábado (20), aos 85 anos, o cantor Lindomar Castilho. Ícone da música brega e voz de sucessos como "Você é Doida Demais", o artista teve a carreira e a vida pessoal marcadas por um crime brutal: em 1981, ele assassinou a ex-mulher, a cantora Eliane de Grammont, motivado por ciúmes doentios.
No auge da fama, Lindomar Castilho não aceitava o fim do casamento com Eliane. Em uma noite de março de 1981, o cantor invadiu um bar em São Paulo onde a artista se apresentava e disparou cinco vezes contra ela.
O crime, cometido na frente do público, foi uma das maiores demonstrações de violência de gênero da época e mobilizou o país com o lema "Quem ama não mata", em resposta à tentativa da defesa de justificar o ato como uma questão de "honra".
Castilho foi condenado a 12 anos de prisão. Embora tenha deixado a cadeia nos anos 1990, sua imagem pública nunca mais foi a mesma, vivendo o resto de seus dias à sombra do crime que cometeu.
O desabafo da filha: "Morre o pai e nasce um assassino"
A notícia da morte de Lindomar foi confirmada pela filha do casal, Lili de Grammont, que sobreviveu à tragédia familiar. Em uma publicação carregada de dor e crítica, Lili relembrou o peso do ciúme e da posse na vida do pai:
"Ao tirar a vida da minha mãe também morreu em vida. O homem que mata também morre. Morre o pai e nasce um assassino, morre uma família inteira", desabafou nas redes sociais.
Para a filha, o crime transformou a figura do ídolo romântico em um símbolo de violência doméstica. Ela encerrou sua mensagem pontuando que "não somos donos de nada e nem de ninguém", em uma referência clara ao sentimento de posse que levou o pai a cometer o assassinato.


